Concerto dos Beatles no telhado da Apple completa 45 anos


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Foi no meio de um dia frio de 30 de janeiro de 1969 que os Beatles foram até o telhado do número 3 de Savile Row, em Londres, sede da sua gravadora, a Apple Records, para realizar seu último encontro ao vivo para digamos, um grande público. Um mês antes, a banda havia se enfurnado dentro do estúdio para gravar o projeto Get Back, mais uma ideia de McCartney para tentar juntar os cacos que a banda teimava em deixar pelo caminho após a morte do empresário Brian Epstein, em 1967. Os Beatles  entravam e saiam de crises a cada novo trabalho e o White Album, de 1968, deixou muitas rusgas.

Em janeiro de 1969 a ideia era voltar as origens, gravar um álbum sem firulas, sem orquestrações de George Martin, um disco mais cru e com reencontro as velhas possibilidades. Tudo seria filmado e viraria um filme, mas o resultado se mostrou pior do que se esperava. Com Yoko a tiracolo, a banda passou um mês tocando horas e horas de novo e velho material e também brigando. McCartney tomava uma postura de comando, chegando em certa cena, a tentar ensinar George Harrison um riff, este fica totalmente irado com o disparate do colega. Sim, o fim estava eminente.

Em 30 de janeiro de 1969, na hora do almoço, a banda resolve fazer um show surpresa no telhado da gravadora. A ideia inicial, se não fossem as brigas, era fazer um show ou num teatro, ou ao ar livre num parque. Pensou-se até numa apresentação nas ruínas de Pompéia (que mais tarde o Pink Floyd realizou), mas de saco cheio uns dos outros, os quatro Beatles, mais a participação especial do tecladista Billy Preston,  foram para o telhado e fizeram uma apresentação que foi interrompida pela polícia londrina. Durante 42 minutos, vários curiosos se acotovelavam em janelas, subiam telhados de outros prédios ou se aglomeravam na rua. Na realidade, o show sem autorização, só foi interrompido mesmo pelo número de pessoas que paravam na rua. No repertório as novas canções que foram aproveitadas das gravações na Apple, como Get Back (que daria nome ao disco), Don´t Let Me Down, Dig a Pony, I´ve Got a Feeling, One After 909, God Save The Queen e um trecho de I Want You (She´s So Heavy).

Vale lembrar que o show no telhado não foi o último encontro musical dos Beatles. O projeto Get Back foi engavetado. Tudo que foi gravado em janeiro daquele ano foi entregue para um produtor ver o que dava para aproveitar e lançado em 1970, quando a banda estava se separando no álbum Let it Be. Antes, entre abril e julho de 1969, a banda voltou para Abbey Road, com produção de George Martin e gravou o icônico álbum Abbey Road, onde a solução para a capa estava na faixa de pedestres em frente ao estúdio, eternizando o local e o estúdio para o mundo da música pop.

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Mais uma informação é preciosa para este texto. A ideia de tocar num telhado, mesmo para os Beatles, percursores de muitas artimanhas do pop, não foi uma grande novidade. Em 1968, em Nova Iorque, a banda Jefferson Airplane subiu num prédio e também fez um pocket show. Era também um dia muito frio e o show também foi interrompido pelo trabalho da NYPD, mas foram os Beatles que deixaram milhares de pessoas, principalmente as que tem banda, em fazer concertos improvisados no telhado de edifícios. Bandas como U2, Red Hot Chilli Peppers e centenas de milhares de bandas cover de Beatles já subiram em algum prédio para fazer uma apresentação surpresa. Para os fãs dos Beatles, a data é importante e mais ainda, os mais colecionadores aguardam um lançamento oficial completo do show, já que a edição que foi para o filme Let it Be, o último da banda, contém apenas 22 minutos da apresentação total da banda. Confira!

 

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