Category: Resenhas

20 anos dos Ramones em Balneário Camboriú

 

Histórico! Ramones em SC - Foto Júlio Cavalheiro
Histórico! Ramones em SC 1994 – Foto Júlio Cavalheiro

O lendário show dos Ramones no parque da Santur em Balneário Camboriú completa hoje 20 anos. No dia 11 de novembro de 1994, os Ramones fizeram sua única e histórica apresentação em Santa Catarina ao lado do Sepultura (em grande fase) e dos Raimundos (que há pouco tinham lançado o primeiro álbum). O show aconteceu numa sexta-feira e movimentou gente de todo canto do estado, que organizaram vans e ônibus para testemunhar a épica aparição de Joey, Johnny, CJ e Marky na “praia mais badalada do sul do mundo”.

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Ingresso do Wanderson Verch, ainda com o canhoto.

O dia foi bastante estranho. As pessoas não acreditavam que se dirigiam para um lugar como a Santur para ver os Ramones. Filas, calor e aquela porta de vidro que virou pedacinhos, apesar do “caos” a turnê Acid Chaos passou por diversas cidades brasileiras, mas aqui a coisa tomou pela lenda, pois tu fala para alguém que os Ramones se apresentaram em Balneário Camboriú e pouca gente acredita.  O sentimento como adolescente que foi no show meio que ao acaso (aproveitei carona para a praia e pimba, vi os Ramones com a turma do prédio) foi única. Era um fã de Ramones desde mais moleque, e ver que eles existiam de verdade foi um sonho… realizado. Difícil esquecer tudo.

Mundo47 foi atrás de algumas personalidades locais que estiveram no show. Pedimos para que dessem um depoimento falando da experiência em participar do show histórico.

 

Bola Teixeira, jornalista, blogueiro, fotógrafo

BOLA

“Cheguei a tarde na Santur e a fila virava quarteirão, no caso, pavilhão. Os portões – de vidro – ainda fechados. Sai fotografando tudo que via pela frente. Lembro de uma menina ensandecida na fila que fotografei. O tempo passou, milhares de pessoas na fila e nada de abrir a porta, até que o povo resolve abrir na marra. Vidro estilhaçados e invasão generalizada do pavilhão sob os olhares de reprovação do diretor da Santur Alvaro Silva. Fui direto para os camarins. Conversei com os caras do Raimundos e cumprimentei meus ídolos Ramones, mas estava tudo muito corrido e fui para o chiqueirinho. A altura – baixa – do palco permitiu que fizesse muitas fotos, verdadeiros portraits de meus ídolos.

Joey Ramone - por Bola Teixeira

Joey Ramone – por Bola Teixeira

 

Na verdade não dei muita bola pra Raimundos. Queria mesmo era fotografar e acompanhar o setlist dos Ramones. No meio da muvuca vejo aquela mesma menina que fotografei lá fora já em fim de linha sendo carregada para fora do pavilhão desmaiada. Entra o Sepultura. O povo enlouquecido demais, vazei do chiqueiro e acompanhei lá detrás do pavilhão. Foi tudo muito inesquecível, se é que você me entende”

Marcos Espíndola, jornalista/empresário

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“Eu não sei se você esteve lá, mas também não te recrimino se você achar que eu também não estive. Mas todos sabemos o tamanho da nossa fé. Explico: a saga dos Ramones começou antes. Do boato sobre a possível vinda dos caras para Balneário Camboriú, que se alastrou numa torrente de incredulidade. “Em Balneário? Nem f******!”, era o que mais se ouvia. E justificável, veja, naquela época mal entrávamos no Windows e a internet era algo impensável para esses cantos de cá do Atlântico. Fato é que a história esquentou, ferveu e fez o tempo fechar na cidade.  Na época eu estagiava em um jornal da cidade e lembro de aproveitar a deixa para correr hotéis a procura da camarilha punk, aqueles heróis da juventude. Até que do algo do Geranium (é esse o Hotel), deu para ver algumas cabeças cabeludas e de óculos escuros. Bom, vai ter show. E foi “O” Show.  Foi o congraçamento de uma vida, um rito de passagem tardio para milhares de marmanjos que ali sacramentaram o fim da adolescência. Perdemos a inocência e quase tudo passou a ser possível. Tenho comigo que muitos até hoje juram que foram para não passar vergonha por não ter levado fé. Tenho a impressão de que se todos aqueles que garantem que estiveram presentes no show realmente estavam lá, teria que haver dois daqueles complexos da Santur.
Eu não os recrimino por mentirem. Até eu custo a acreditar ainda hoje eles estivavam ali na minha frente”
Klaus Peeter Loos, Empresário/Sumidade do Metal
klaus

“11/11/94, quem diria, já se passaram 20 anos daquela sexta-feira maluca, em que pouca gente acreditava e hoje ainda duvida. Ramones e Sepultura juntos em Balneário, Camboriú, na Santur,  com abertura dos então iniciantes Raimundos, seria possível? Sim, cheguei lá cerca de 3 horas antes do show, uma confusão danada na entrada, muita gente concentrada derrubou os portões de acesso, loucura. Já lá dentro, o palco ao fundo, muito aglomero, gente escalando as paredes laterais, surreal. Raimundos deu seu recado, e então os mágicos Ramones fizeram um show digno da sua aura mística, deixando todos hipnotizados, com a sequência de 1,2,3,4…pau!! Lembro bem de I just want to have something to do, Pet Sematary, I Belive in Miracles , Pshycho Terapy e tantas outras, tocadas na velocidade da luz, com Joey Ramone dando um banho de carisma. Por fim, Sepultura do Brasil, na turnê do Chaos A.D. cuspindo fogo, literalmente derrubando o teto do local, êxtase total, veio, viu e venceu, mostrando ser a melhor banda brasileira de todos tempos, coisa que nunca ninguém vai tirar deles. Como fã, digo que foi mais quente que o inferno. War for Territory!!! Foi um sonho? Talvez, mas no final saímos felizes e suados dele, inesquecível!!”

Wanderson Verch, jornalista, baterista Syn TZ, mito
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“O dia 11 de Novembro de 1994 é inesquecível por si só em minha mente, em meu coração… Nessa data puder conferir, no auge de meus 15 anos de idade, a apresentação de duas das maiores bandas do mundo em Balneário Camboriú: Sepultura e Ramones. Tenho até hoje o ingresso, com canhoto, uma relíquia guardada a 7 chaves. Dos Ramones, lembro do impacto que me causou ver aquelas figuras americanas enjaquetadas, com suas músicas frenéticas, que não dava tempo pra respirar direito. Lembro também do mascote da banda com a plaquinha “Gabba Gabba Hey” agitando a galera, e é claro, dos anos pós-show, quando conto para os fãs que vi os Ramones, ao vivo, em Balneário Camboriú, e eles custam a acreditar.”

Ulysses Dutra, jornalista, guitarrista
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“Simplesmente um sonho de adolescência tornando-se realidade. Ramones tocando em Santa Catarina era algo impensável e que se materializou naquela noite mágica. Ganhei uma credencial através do amigo Emerson “Tomate” Gasperin e do Zeca, do Sincronia Total e pude ficar na fila do gargarejo pra assistir o quarteto mandar ver em todas aquelas músicas que eu tocava junto com os LPs no quarto de casa até rasgar o papel dos alto-falantes de um 3 em 1. Foi sensacional. Hey ho!”.
Ulysses com galera de Floripa.

Ulysses com galera de Floripa.

 

Celsinho Castellen, músico, empresário

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“Foi a coisa mais animal do mundo. Eu poguei um monte na primeira música, e o resto não me mexi pra não perder nada. Fiquei parado o show todo. E me arrependo até hoje que fui com uma camisa do Sepultura, cara, foi animal, difícil ter palavras para descrever, eu sabia todas as músicas de cor.  Quando o cara foi passar o som da guitarra, tinha um cara do meu lado berrando “tira a mão dessa guitarra q tu não merece”. E eu tava lá na frente na hora q estourou a porta, foi um show animal, nunca vou esquecer, tenho o ingresso ainda inteiro”.

 

Rodrigo Fachini, jornalista

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“Apesar da pouca idade, pouco mais de 16, e recém inserido no mundo do rock, a paixão pelo Ramones foi de  bate-pronto: ocorreu logo após ouvir as primeiras músicas, pelos anos de 91,92. Lembro como se fosse hoje, quando anunciaram os shows, Raimundos, Ramones e Sepultura em BC, a primeira reação foi dizer que era mentira ou que se tratava de um evento com bandas Cover. Depois de checar a veracidade, iniciou o processo de busca de ingresso e de como iria ao show. Aventuras à parte e sucesso na empreitada, os primeiros 20 minutos de show dos  Ramones foram de estagnação e a sensação inicial que não poderia ser verdade, foi a tônica. Show memorável e um dos últimos da da formação e que nunca sairão da minha memória.”

 

 

Gazú fala sobre críticas e sobre o novo álbum do Dazaranha

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Gazu não concorda com posicionamento da banda sobre crítica.

 

O assunto da semana é a crítica ao álbum Daza, último lançamento da banda Dazaranha, de Florianópolis, publicada nesta semana pelo blog Rifferama, do colega e parceiro de RIC Mais, Daniel Silva. A crítica em si não trabalha de uma forma desrespeitosa a banda que tem mais de 20 anos de história no estado, mas faz um alerta para os músicos e artistas catarinenses que há o que se renovar numa carreira tão longínqua como a que eles tem. Daniel relata principalmente é que o disco não tem canções inéditas, mas sim regravações de trabalhos solo dos integrantes da banda e faz pensar um pouco também sobre alguma crise criativa desses músicos que já estão há  vários anos agitando as coisas por Santa Catarina.

Mundo47 entrou em contato com o vocalista da banda, o frontman que tem na sua voz, a principal identidade do Dazaranha nesses últimos 20 anos. O nome dele é Sandro Costa, mais conhecido como Gazú. Por telefone conversamos sobre toda essa polêmica da crítica do último disco, falamos sobre possíveis erros no passado e um pouco sobre o trabalho solo de Gazu, que em breve lançará um DVD gravado em Brusque.

 

 

Confira!

 

Mundo47: Gazú, o que você achou da crítica feita pelo Daniel Silva, do blog Rifferama sobre o disco Daza, recém lançado pelo Dazaranha?

Gazu:  Eu achei que foi dito verdade ali, de uma forma coerente. Houve elogios, vi que ele engrandeceu bastante a banda. Vi nele um grande fã do Dazaranha, alguém que gosta muito da banda, não alguém que estava esperando uma oportunidade para malhar, e achei super legal cara, seria bom para a banda se houvesse críticas como essa em todos os meios impressos de Santa Catarina e do Brasil.  A gente sentiria grandioso se tivéssemos criticas como esta.  Achei ela (a crítica) superpositiva e senti a carência, não só do nosso publico, mas de Santa Catarina em geral, por novos trabalhos. Vi que não só o Daniel, mas como o público de uma forma geral, quer mais do Dazaranha e isso foi uma forma positiva. Críticas como a dele é uma carência que estava precisando, a gente deve se sentir feliz porque as pessoas querem mais

 

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Mundo47: O que você achou da repercussão sobre a crítica do disco e posicionamento oficial da banda sobre a crítica que o Daniel fez no seu blog, incluindo a assessoria de imprensa do Dazaranha que também tentou “mudar” a opinião do jornalista?

 

Gazu:   Não foi legal da parte do Dazaranha em responder e eu não fui consultado, até porque eu me desliguei da administração  do Dazaranha.  Como eu não estou na administração eu assino embaixo até os erros, mas particularmente, eu acho que deveríamos aceitar isso como uma coisa positiva, não negativa, mas a grande maioria das pessoas está achando positivo o CD, até porquê você não vai agradar todo mundo. Não podemos fazer um CD raiz como o primeiro, a gente tem nossa particularidade com as letras, o violino, o sotaque do vocalista, essa característica está presente na vida do Dazaranha e o publico está gostando. Eu particularmente acredito numa qualidade muito legal neste CD, mas eu acho que o Dazaranha não tinha que se pronunciar em relação a isso. Acho que Santa Catarina é um estado onde a gente está amadurecendo em todos os aspectos. As bandas estão amadurecendo, a gente também amadureceu sozinho desde o começo da banda, as empresas de som estão mais profissionais, a gente participou do crescimento  delas,  as casas de show estão se profissionalizando, melhorando as condições de trabalho para os músicos, essa profissionalização estamos desenvolvendo em Santa Catarina.  A critica em SC é uma coisa que  a gente está  aprendendo a ter. Veja você, me ligando  para saber de mim, isso diz que isso que a gente tem importância, é porque eu tenho algo a dizer, que o Dazaranha tem importância pra dizer, e se o Daniel fez no blog dele, é porque o Dazaranha tem conteúdo, isso eu acho que já se basta. A banda tem que ficar feliz, pois  ele estudou o CD, a história do Dazaranha, isso pra mim basta. Agora, em relação ao Chico (Chico Martins, guitarrista), a opinião dele não é opinião do Dazaranha. Ele tem direito de se defender, como ele também vai enfrentar as criticas com o que ele fala, como eu, o que eu falo também vou ter que me defender sobre o que eu falo. Embora eu não concorde com a resposta, eu assino embaixo.

 

 

Mundo47: E como esta crítica teve uma grande repercussão nas redes sociais, eu queria saber a opinião sua sobre o disco, como você avalia esse trabalho?

 

 

Gazu:  É uma batalha para gravar um CD, mas o publico não quer saber o que está acontecendo nos bastidores, quer saber do espetáculo, se ele acontece bem. O público não quer saber se é difícil montar o palco, luz, se alguma coisa não tá funcionando bem, o publico quer saber se o show tá bom. Nosso trabalho é estar organizado. Mas falando desses bastidores, para você que tem um conhecimento maior,  esse CD eu idealizei ele e corri atrás para que ele acontecesse. Na época eu era administrador do Dazaranha.  Eu escolhi o produtor, o Carlos Trilha,  uma escolha minha e aceita pela banda. Escolhi o estudio R3, que é um dos melhores estúdios do Brasil. Eu corri atrás de recursos, claro com a participação do escritório do Dazaranha, junto com o Adauto (baixista da banda) , estava do meu lado realizando essa empreitada. A gente tem a nossa dificuldade para fazer o melhor, a gente poderia pegar um estúdio mais barato, mas optamos pela qualidade, tanto na gravação quanto na produção. Em relação a parte artística a coisa é democrática. Eu não influenciei nada, ali foi escolhido o repertório democraticamente, não só pelos músicos, mas pelo pessoal da técnica, produção. A gente tinha até muitas músicas, mas cada música custa um preço alto para fazer.  Seria  bom ter um CD com mais musicas, eu também queria, mas envolve uma questão de orçamento, mas o público não quer saber disso. O Daza foi feito de uma forma independente. Os arranjos são idealizados por cada um, em seu instrumento, cada um trabalha sua parte, claro que há alguns ajustes, mas cada um faz a sua parte. O Carlos Trilha pegou as músicas prontas. Ele gravou, mixou, na gravação mexeu um pouco lá, um pouco aqui, adicionou ou excluiu a participação de algum instrumento, ele também colocou teclados em várias músicas, pois ele é um excelente tecladista, foi um disco que demorou bastante para sair. Gravamos em etapas, numa vez foram três músicas, depois mais três e depois o restante do disco, mas saímos com 11 canções. A gente havia feito o box comemorativo de 20 anos da banda, aí a gente meio que armou uma distribuição independente, junto como divulgador Chicão e ele junto com a banda, montou essa distribuidora independente, através disso estamos distribuindo o disco.

 

Mundo47: no final dos anos 1990 a banda fez parte do cast da Atração Fonográfica, gravadora nacional que lançou Tribo da Lua, com o hit Vagabundo Confesso. Todo mundo achou que vocês virariam um sucesso nacional, apesar de breve, esse sucesso teve fim. O que faltou para o Dazaranha estourar no resto do país?

 

Gazu: na época que a gente que fez parte da Atração, ainda rolava o universo das gravadoras em bancar o CD. Uma grande gravadora era o único caminho para um artista botar o disco na rua, a gravadora era tudo (gravação, distribuição, divulgação)  num lugar só. Nessa época a Atração era uma gravadora pequena, mas trabalhava mais sertanejo, caipira do interior de SP,  moda de viola, aquele som Almir Sater, do Mato Grosso do Sul, coisa desse gênero, e o Dazaranha era uma banda “pop reggae rock”, um produto meio fora do que ele estavam acostumados a trabalhar, mas eles gostaram do Dazaranha, mas a gente fez uma parceria, sabíamos que tinham gravadoras mais importantes, que poderiam trabalhar com mais facilidade, mas de repente a gente não escolheu bem a gravadora, que poderia trabalhar um produto como o nosso. Por outro lado, se fores analisar, foi feito um grande trabalho como Dazaranha. Fomos Top50 em vendagens no Brasil por três vezes, isso não é uma marca histórica não só pelo Brasil, mas para Santa Catarina. Recebemos informações que nosso disco foi comprado no Brasil inteiro, tocamos em São Paulo com casa cheia, a música Vagabundo Confesso foi regravada várias vezes, usados em diversos comerciais, inclusive pelo Guga. Se for analisar, fizemos um grande trabalho, com o Tribo da Lua, Vagabundo Confesso, fomos bem reconhecidos, vários programas de TV a gente fez, foi ótimo esse trabalho, foi grandioso, faltou dar sequencia, mantido, evoluído, mas foi um trabalho bom, hoje tu não consegue mais, as gravadoras pegam um produto pronto, elas basicamente divulgam, e muitas vezes até a distribuição.

 

 

Mundo47: Em mais de 20 anos é difícil ficar no casamento apenas com uma banda, você tem o desejo de tocar mais, com outras pessoas também. Você fez isso nos últimos anos. Como é esse seu trabalho solo?

 

Gazu:  Eu já estou uns três anos fazendo meu projeto. Depois de 20 anos a gente acha umas brechas, onde ficamos com tempo ocioso e aí comecei a fazer apresentações solo. Com isso eu mantenho meu nome na boca da galera e de lambuja mantenho o nome do Dazaranha, todo mundo ganha com isso. Uns dois anos atrás, eu gravei um CD com inéditas, só uma regravação de um amigo meu, esse CD deu origem a um DVD, onde gravei em Brusque. Teve a participação do Armandinho e do Teco Padaratz, e mais outras figuras, foi um disco basicamente gravado em cima do meu CD, onde o Armandinho deu uma musica dele, Desenho de Deus e gravou comigo. Já tem um clipe rolando no YouTube, onde tem eu e o Armandinho cantando Desenho de Deus. Esta semana estou concluindo a finalização do DVD. Estou armando com uma gravadora, mas não é nada certo, nem vou te falar, pode não acontecer, mas eu vou botar meu boi na rua. Para este projeto solo eu formei uma banda com grandes músicos, é uma grande oportunidade de eles trabalharem comigo, onde tem uma exposição, eu estou bem satisfeito em tá com essa superbanda, isso oxigena meu trabalho como musico em estar somente com o Dazaranha, eu consigo fazer algo diferente, não preciso tá mexendo com as coisas do Daza em estar levando conflitos à frente, com meu projeto paralelo eu consigo fazer minhas coisas também, estou bem feliz com isso.

 

Marzio Lenzi lança segundo álbum solo de blues

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Marzio Lenzi apresenta trabalho gravado em casa

 

Marzio Lenzi é um dos mais espetaculares guitarristas do Brasil. Não é presunção não, se nos anos 1960 Eric Clapton causou furor nas ruas de Londres para que pixações o proclamassem “Clapton is God”, acho que já passamos do tempo em pixar um muro com “Marzio is Son of God”. O cara sempre arrebentou, tanto nos inúmeros álbuns rock and roll gravados com seus irmãos e parças, do Lenzi Brothers como já em seu primeiro trabalho solo, Marzio Lenzi and The Raze Blues.

O novo álbum, Second Blues, lançado na web na última quarta-feira, 07, é o retrato do guitarrista em querer dar continuidade ao seu projeto de blues e tudo isso aconteceu quando Marzio montou um home estúdio em Lages-SC, onde reside. Marzio fez durante dois anos várias demos num processo de aprendizagem, demos, tocando todos os instrumentos e quando a coisa começou a soar bem, pensou em gravar um disco sozinho. “Acabei fazendo esse trabalho gravando com a ajuda de um primo, que também tem home studio, Steffan Duarte”, disse para o Mundo47. O Second Blues foi gravado inteiramente pelo guitarrista, que tocou todos os instrumentos, mixou e masterizou. “Em Lages está rolando uma boa cena de blue. Todo mês vem artistas fazer shows, a maioria eu participei dos shows e aproveitei para gravar as participações dos caras”, explicou.

O álbum Second Blues tem as participações especiais de Décio Caetano (guitarra), Joe Marhofer (gaita), Ricardo Maca (guitarra) Andrey Garcia (piano e órgão) Gonzalo Araya (gaita) e Greg Wilson (voz). Ao todo, o novo trabalho tem 07 faixas autorais, 03 releituras de clássicos do blues, sendo uma de Décio Caetano.  A princípio Marzio revela que o disco não terá alguma tour de lançamento, mas sim shows esporádicos que provavelmente serão marcados. “Achei melhor primeiro divulgar o disco e depois sair marcando shows, é mais fácil… a expectativa otimista é uma tour, a realista são os esporádicos”, declara.

 

 

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Mundo47:  Como vc avalia o cenário do blues no Brasil hj? o que tu destaca para a rapeize?
Marzio Lenzi:  Bem, a cena do blues no Brasil cresceu novamente de 2010 pra frente, estava morna desde o inicio do século e hoje tem muitos artistas bons, e muitos festivais pelo brasil, assim como publico. Diferente do rock independente, que já foi legal, e hoje em dia para tocar e tirar uma grana tá feio…hoje rock independente só depende de verba publica e isso é ridículo!  Mas essa questão de mercado não me influenciou pra fazer esse disco, fiz por que curto blues desde os 16… e sempre acho que deveria fazer mais com e pelo blues… sobre o Lenzi Brothers, selecionamos 10 musicas de 30 demos essa semana e pretendemos começar a gravar o próximo…
Mundo47: Você tem um reconhecimento por parte de publicações como a Guitar Player e várias pessoas, como alguns jornalistas que te consideram um dos melhores guitarristas do Brasil. Tu nunca pensou em investir numa carreira musical no eixão?
Marzio Lenzi: Bem, pensar o cara pensa umas seis vezes por dia, mas mas sempre a possibilidade de ter uma vida paralela, de gente normal, ganhando um salario fixo para se ter segurança financeira, me pareceu sempre mais sensato para as minhas expectativas. Acho que no meu caso pode ser que um reconhecimento maior demore mais, mas chega, espero…

Eramos Carlos fez Florianópolis tremer nesta quinta-feira

Com banda rock and roll, Erasmo Carlos enlouquece platéia em Florianópolis com hits da carreira

Com banda rock and roll, Erasmo Carlos enlouquece platéia em Florianópolis com hits da carreira

Com certeza vários casais sairam do CIC na noite de ontem, em Florianópolis, para lotar os motéis da cidade. Erasmo Carlos, o Tremendão, cheio de rock e com muito amor para dar, fez um show antológico nesta quinta-feira, 7 de março. Com uma banda jovem e com três guitarras (chegou a quatro, quando o próprio erasmo empunhava uma bela Gibson), o Tremendão fez a platéia tremer de amor, sexo e rock and roll. Tiazinhas deliravam na platéia, todas chamando Erasmo de “gostoso”, “vou te levar para durmir na minha casa”, “vou deixar o meu marido aqui e você vai comigo”, dai pra frente.

No repertório, quatro momentos distintos. Comemorando seus 50 anos de estrada, ou carreira (rs), o show começa com músicas do seu mais recente álbum, Sexo, músicas da sua fase anos 70, canções de motel, divididas com Roberto e para finalizar o apoteótico show, rock and roll du bom, fase Jovem Guarda, com muito, mas muito peso, deixando a senhorinha do meu lado comentando com a amiga: “nossa, como tá alto essa música”. No final do show, o Tremendão dedica a apresentação a Chorão, do Charlie Brown Jr.

Tremendão lembrou das "Músicas de Motel" no meio do show. Tiazinhas foram ao delírio!

Tremendão lembrou das “Músicas de Motel” no meio do show. Tiazinhas foram ao delírio!

Uma noite peculiar, com um Erasmo de bom humor, amável, querido, com a platéia aos seus pés e recheando o bolo com muito rock and roll. Hoje Erasmo toca em Blumenau, no Teatro Carlos Gomes e no sábado, Sociedade Harmonia, em Joinville. É imperdível meu povo, o Tremendão veio para Santa Catarina com muito tesão e rock and roll.

FOTOS: Fabrício Escandiuzzi

Meu momento com Erasmo

Tremendão: Erasmo é meu amigo de fé, meu irmão camarada em Floripa.

Tremendão: Erasmo é meu amigo de fé, meu irmão camarada em Floripa.

Não é muito da minha personalidade, tietar artistas. Já tietei alguns que sempre valeram a pena. Mas na última quarta-feira, um dia antes do show do Tremendão no CIC, soube que ele daria uma coletiva e autografaria seu livro, “A minha fama de Mau”, no Centro Cultural Badesc, no Centro de Florianópolis.  Era uma oportunidade única de estar frente à frente a um ídolo de muito tempo. Erasmo Carlos. Cheguei muito cedo, fiquei lá fora, conversando com alguns conhecidos e ansioso pelo encontro que aconteceria em seguida.

Já passava das 19h30 e nada do Erasmo chegar, eis que ele chega escondidinho, e já sentado numa cadeira, inicia rodadas de entrevistas com repórteres das televisões locais. O povo foi chegando neste momento e com a presença de amigos como Alexandre Gonçalves, do Notícias do Dia, Ulysses Dutra, do Bonde Vertigem, Guilherme Zimmer, dos Ambervisions, Rodrigo Noventa, dos Cochabambas, Jean Mafra do Bonde Vertigem, Fábio Bianchini do Superbug e outras figuras da cena róque da capital, ficamos lá, admirando o Tremendão, in person, carne e osso, há poucos metros de nossa frente.

Depois das entrevistas para a TV, que foram longas e cansativas, fila formada e fãs como eu, essa turma já citada e outros, ficamos esperando nossa vez para passar poucos segundos ao lado de uma lenda. O Erasmo Carlos, o Tremendão. Na minha vez, apresentação clássica e umas palavras de referência: “Oi Erasmo, sou seu fã, sou amigo do Marcelo Froes, que te mandou um abraço”, disse eu. Ele sorriu, e disse: “Ah, o Marcelo, grande figura”, pediu meu nome, autografouo seu último DVD e tirou uma foto comigo. Bom, tietei um dos meus ídolos. Saí de lá, feliz da vida e compartilhando o momento nas redes sociais.

Nada Surf surpreende em sua passagem por SC

No feriadão o Nada Surf passou por Florianópolis. O trio de Nova Iorque, agora um quarteto praticamente, fez uma apresentação no John Bull daquela cidade.

O Nada Surf está em turnê pelo Brasil e alguns países do Mercosul, como Argentina. O staff é mínimo, mas garante boas apresentações pelo país. Depois do turbilhão “Paul McCartney”, na mesma semana praticamente, o público no bar de certa forma foi tímido, poderia ter sido bem melhor, mas os que se aventuraram,  presenciaram uma grande apresentação da banda liderada por Mattew Caws.

Com o último disco na praça, “The Stars Are Diferente To Astronomy”, o Nada Surf aproveitou a uma hora e meia de show para também tocar alguns sucessos do começo de carreira e também alguns hits dos últimos discos. Do público, impressionantes personagens que mostram que o Nada Surf não é desconhecido, pelo contrário, para quem pensava que estaria no meio da galera cantando sozinho, o engano foi grande, várias canções da banda foram cantadas em verdadeiro coro.

O show de certa foram foi curto para tanta música boa em seus discos, o resultado é que depois do bis, Matt foi com o violão na platéia para cantar “I Like what you say” no gogó, com a gurizada delirando.

Eu de certa forma fiquei feliz com o show e com a assinatura na capa do LP.

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O ano da raposa

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Banda curitibana sai na frente e lança a primeira música de 2012

Exatamente às 00:00 do primeiro dia do ano, a Quick White Fox lançava na Internet Fly by Wire. A primeira música do ano não é inédita, mas trata-se de uma releitura tão inventiva que acaba resultando em uma nova canção.

Tudo começou quando Naomi e Mel (a QWF conta ainda com os integrantes Gean e Debs) foram convidadas para acompanhar o Astronauta Pinguim em um show no Oeste de Santa Catarina. A apresentação não aconteceu, mas serviu para que Naomi recebesse o terceiro disco do multi-instrumentista (Zeitgeist Propaganda, 2011).

A faixa que mais chamou sua atenção foi Fly by Wire, que reúne parte da já conhecida parafernália do Pinguim: órgão, vocoder, moog, minimoog, etc. A proeza de Naomi consistiu em criar uma segunda música sem abrir mão dos elementos anteriores – e isso não significou, necessariamente, uma facilidade.

Em apenas dois dias, ela acrescentou voz, backings, teclado, baixo, violinos sintetizados, bateria e outros efeitos sonoros. As melodias eficientes e a letra inspirada foram determinates para a criação de uma bela e poderosa obra, cuja mixagem e masterização levam a assinatura de Luiz Orta.

A banda curitibana, que estreou com o EP Summer Trip em julho de 2011, reserva outras novidades para os próximos meses. Por enquanto, só podemos adiantar que o videoclipe de She Said, escrito e dirigido por João Solda, está em fase de edição e deve ser lançado em breve.

Autoramas e BNegão em Joinville no último sábado

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No último sábado eu estive em Joinville, no Bovary, para conferir o quarto show da parceria entre os cariocas do Autoramas e BNegão, que já cantou com Marcelo D2 na lendária banda Planet Hemp.

Na minha companhia o excelente fotógrafo Lucas Correia, que registrou essas imagens e também fez fotos da banda Autoramas na sua última passagem por Santa Catarina. Há um pouco mais de dois meses, o trio carioca fez shows em Balneário Camboriú, no Ooby Dooby, e no mesmo Bovary, na cidade dos principes.

Desta vez, o projeto com o BNegão trouxe o Autoramas de volta, junto com seu álbum música crocante. BNegão entrou no projeto dividindo o palco com o Autoramas em São Paulo, na Rua Augusta, num show no Beco. Depois tocaram na Bahia e na última sexta-feira, em Porto Alegre, também no Beco. O show de Joinville foi o quarto, passando pelo nosso estado.

Confesso que antes do show fiquei preocupado. O público presente no Bovary, digamos, não tinha jeito de conhecerem, muito menos de fãs dos dois artistas que mais tarde dividiriam o palco. Também não foi um público excelente, que antes do Autoramas, curtia clássicos do rock grunge dos anos 90 com a banda Stereo 33, de Curitiba, o que foi um erro, bem que alguma banda joinvilense poderia abrir para os artistas cariocas, bandas em Joinville não faltam.

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Lá pelas 02 da manhã o show mais esperado, com parte do público que curtiu os cover da Stereo33 indo embora, o Autoramas abriu o show. Foram sete músicas de seu trabalho normal, um pequeno apanhado na carreira, com Bacalhau, Flavinha e Gabriel Thomaz esquentando o pequeno, porém animado público. Lá pelas tantas, entra BNegão. O cara além de ser uma simpatia, muito atencioso com saudosos fãs do Planet Hemp, iniciou uma bela dobradinha. Os artistas fizeram um apanhado das suas ex bandas, com músicas do Planet Hemp, versionadas para falas boladas por Gabriel como em “Queimando Tudo até a Última Ponta” e “Dig, Dig, Dig”. Não tinha como não reverenciar essas músicas, com BNegão e Bacalhau, ex-membros da formação original do Planet Hemp. No lado do Autoramas, o grande hit do Little Quail and Mad Birds, “1,2,3,4″, também foi lembrada. Sem esquecer que estão com o vozeirão de BNegão na frente, a banda emenda clássicos como “Psicho”, dos Sonics em seu repertório.

A parceria entre BNegão e Autoramas de certa forma me surpreendeu. Até mesmo canções inesperadas do Metallica apareceram no set, sempre muito rock and roll, nervosão mesmo. Para mim, o ponto alto foi o cover que a banda fez para “Qual é o seu nome”, da banda catarinense Euthanasia (agora é Eutha).  Empolgadão, no final eu fui o único a gritar o nome do antigo nome da banda de Marcelo Mancha e sua turma, BNegão tratou logo de dar créditos para a banda da capital. “Eu gosto muito desta música”, disse o cantor depois do show. Não é a toa, se você dar uma passeada no Youtube, vai ver que Bernardes Negron cantou “Qual é o seu nome” no SWU 2010.

Enfim a noite termina tarde pra caramba, o jeito é se despedir dos amigos e pegar o carro e voltar para BC. Na próxima vez que o projeto Autoramas e BNegão passar por SC, meu caro leitor, trate de comparecer.

A cinco metros de um Beatle

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Ringo Starr e sua All Starr Band em Porto Alegre – 10.11.2011

Quando Paul McCartney esteve no Brasil em 2010, eu fui fominha, queria ver uns dois shows, e vi, mas tudo na pista comum, não na tal da premium, muito mais cara do que a normal. Apesar de estar pertinho de Paul, na grade da pista comum, ele estava mesmo longe nos estádios do Beira Rio e Morumbi.

Na última quinta-feira, em Porto Alegre, no ginásio do Gigantinho, numa malandra troca de ingressos, consegui a tal da pista premium para ver mais um beatle. Ringo Starr.

Foi o primeiro show do baterista no Brasil, ele nunca havia estado por aqui. O show de Ringo é muito menor do que Paul, foi num ginásio para 14 mil pessoas, mas nem 8 mil pagaram para ver o ex-beatle.  Muita gente tem aquela coisa que Ringo era dispensável, o baterista, o beatle palhaço, o bobo, mas enfim, Ringo Starr foi uma peça muito importante para os Beatles, sem ele, muitas músicas não teriam o sucesso devido, apesar da dupla Lennon e Mccartney dominarem a coisa no início, o conjunto dos quatro músicos e personalidades foi importante.

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Acompanhando Rick Derringer, dos McCoys

O importante mesmo foi conviver com aquelas pessoas fãs de Ringo Starr, loucas para ver um beatle novamente, alguns pela primeira vez. Minha forma de transporte foi um bus que saiu de Florianópolis, da galera da Bus Sessions. O ônibus double deck foi com umas vinte poucas pessoas, muito tranquilo, com pessoas legais, de todas as idades.  Voltando para o assunto pista premium, fiquei na fila, que era bem curtinha, numa posição que quando entrei no ginásio, não foi difícil chegar na grade, de frente para a mítica bateria Ludwig e o microfone central, ou seja, a poucos metros de um beatle eu estaria a partir das 21h. E não deu outra, Ringo, frente à frente com sua platéia, simpático, feliz e saltitante cantando “It Don´t Come Easy”, de 1970. No começo Starr já tinha ganho a platéia.

A produção de palco de Ringo é modesta. No fundo são panos e uma imensa estrela inflável. Os equipamentos também são mínimos, não tem paredão de amplis, somente na plataforma alta, como ele fazia com os Beatles para ser visto, a Ludwig lindona, toda brilhosa, com uma imensa estrela no bumbo.

Na sequência  do vieram “Honey Don’t” e “Choose Love”,  com Ringo já sentado na sua Ludwig. A constatação de você estar ali, há poucos metros do baterista, com ele na própria, fazendo caras e trejeitos como fazia com os fab, foi fabuloso. Dava para olhar para o cara e ele, se divertindo, com a platéia cantando seu nome.

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Edgar Winter fazendo uma apresentação matadora!

Após a terceira música, foi a vez da All Starr Band mostrar o seu talento. Desde 1989, Ringo convida grandes nomes para participar de sua banda de apoio. A atual All Starr Band não chega a ter nomes tão conhecidos, mas durante o show, as músicas apresentadas pelos integrantes chamou a atenção da platéia, que em algum momento de sua vida, ouviram as canções dos integrantes da All Starr Band que fizeram sucesso nas rádios.

O guitarrista Rick Derringer, dos McCoys, cantou a clássica  “Hang On Sloopy”.  Edgar Winter, irmão de Johnny Winter, tocou  “Free Ride”.  Wally Palmar destilou seu talento com  “Talking In Your Sleep”, todas as canções com Ringão lá, sorridente na bateria, acompanhando os parceiros de turnê.

Em Porto Alegre, Ringo volta aos vocais com  “I Wanna Be Your Man”, dedicado para  todas as mulheres e alguns homens (hummmmm). O tecladista Gary Wright, muito conhecido nos anos 1970 com a clássica “Dream Weaver”, fez as honras com um vocal extremamente polido para um senhor de 70 anos, fantástico.  Depois foi a vez do baixista Richard Page, conhecido nos anos 1980 com a banda Mr.Mister, cantando “Kyrie”. Page arrepiou também a platéia, com sua voz fantástica e que foi um grande hit de sua antiga banda.

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Ringo comandou a platéia por quase duas horas no Gigantinho

Novamente Ringo volta aos vocais, com “The Other Side of Liverpool”, não empolgando tanto, se eu fosse ele tocaria Liverpool 8, muito mais legal do que esta.  O show continuou com Ringo Starr cantando uma das mais clássicas dos Beatles com sua voz, “Yellow Submarine”, platéia e músicos cantando como um hino e na brincadeira dos fãs na fila do Gigantinho, o ambiente é invadido por centenas de balões amarelos. Como num cântico de torcida de futebol, o público cantava “olê, olê, olê, olê, Ringo, Ringo!”. Depois desse momento épico, Ringo sai de cena, dando lugar a Edgar Winter, o mago albino que compôs a excelente instrumental “Frankenstein”. O véio Winter detona, levantando a platéia com seu virtuosismo e habilidade em tocar com um teclado pendurado no pescoço.

No retorno de Ringo,  “Back Off Boogaloo” antes de entregar o bastão Wally Palmar, que animou a plateia com “What I Like About You”. O show continuou com Ringo com “Boys”, Gary Wright com “My Love is Alive” e Richard Page com outro sucesso seu com a Mr. Mister, “Broken Wings”.

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Aos 71 anos o baterista mostrou vitalidade e bom humor

Quase duas horas de show, Ringo inicia a sua despedida do palco com a belíssima “Photograph”. O público que combinou pela web homenagens, levanta várias fotos de Ringo e dos demais Beatles. Depois, do LP Help, Ringo canta “Act Naturally” e finaliza o show com “With A Little Help From My Friends”, do Sgt.Peppers. O final tem direito ainda a música incidental “Give Piece a Chance”. Ringo passou o show inteiro fazendo o símbolo da paz, assim como seus fãs e músicos. Sem bis, o beatle se retira do palco.

Valeu a pena.  Claro que como fã dos Beatles, acredito que Ringo poderia muito bem fazer um show com 100% de músicas que ele canta, seja nos Beatles quanto em carreira solo. A fórmula da All Starr Band dura mais de 20 anos, com músicos mudando a cada formação, porém, Ringo mostra que ele é um cara que curte estar rodeado por bons músicos, bons amigos e fãs que o amam. A simpatia de Ringo impressionou. Sorrisos do início ao fim, alegria, virtuosismo, o homem é o que é, sem firulas. A simplicidade do show contrasta com a de McCartney, sim, porém não deixa de ser uma apresentação emocionante e brilhante.

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Eu lá na frente! Coisa maravilhosa

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Pós show, com o jornalista Marcelo Fróes

Veja a lista de músicas apresentadas por Ringo Starr em Porto Alegre:
“It Don’t Come Easy”
“Honey Don’t”
“Choose Love”
“Hang On Sloopy”
“Free Ride”
“Talking In Your Sleep”
“I Wanna Be Your Man”
“Dream Weaver”
“Kyrie”
“The Other Side Of Liverpool”
“Yellow Submarine”
“Frankenstein”
“Back Off Boogaloo”
“What I Like About You”
“Rock N Roll Hootchie Koo”
“Boys”
“My Love Is Alive”
“Broken Wings”
“Photograph”
“Act Naturally”
“With a Little Help From My Friends / Give Peace a Chance”

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httpv://www.youtube.com/watch?v=tnO3YwiZRHQ

httpv://www.youtube.com/watch?v=g4bsjzbIhZ0

Ooby Dooby: LISS e Autoramas fizeram história

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Gabriel e Flavinha do Autoramas

Um bar rock é aquele que vira legado. A relação Mundo47 e Ooby Dooby começou com crítica. Seria o local um bar rock ou um mero restaurante com bandas para fazer som ambiente? O tempo foi passando e a minha relação com os proprietários Adriano e Vinícius virou amizade e grande parceria.

Na última sexta-feira, 26, a parceria deu certo. O Ooby Dooby foi palco para um dos grandes shows em BC neste ano. Não foi o maior nem o melhor show do ano, mas foi histórico. A noite foi mágica e tudo começou com um amplo preparo há mais de dois meses, quando fechamos a apresentação com o Autoramas. Graças também aos apoiadores e patrocinadores da festa, a sexta-feira foi de lavar a alma.

Começamos pelo show da LISS

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A banda de Rio do Sul foi a primeira a tocar, pouco depois da 0h00. O quarteto do Alto Vale, loucos para se apresentarem nesta festa, não fez feio. Muito pelo contrário, Guiulle e seus comparsas mostraram porquê a LISS é uma das principais bandas do Estado e que faz um belo trabalho autoral, que tanto foi, reconhecido pela banda Autoramas, que gravou para o próximo álbum a música “Sem Privilégios”. A LISS também mostrou vigor e precisão ao executar o restante de seu repertório, causando na platéia local, admiração pelas belas harmonias do quarteto. Claro que um show da LISS em Balneário Camboriú também trouxe torcida. Vários conterrâneos deles (meus também), vieram lá de Rio do Sul para ver a banda se apresentar no Ooby.  Enfim, um show marcante da LISS, despretensiosamente simples, melódico e direto.

Depois subiram os Autoramas…

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É, depois de quase três anos o Autoramas retornou. Mundo47 foi responsável por trazer o trio em 2008, com Flavinha Couri recém chega na banda. Três anos depois o Autoramas impressiona cada vez mais. Gabriel, Flavinha e Bacalhau detonaram. Do início ao fim, abrindo com “Mundo Moderno” e fechando com “Carinha Triste”, o show do Autoramas foi repleto de hits acumulados ao longo de 12 anos de estrada.  Os hits guitar band, garage, wroock, como “Jogos Olimpicos”, “A 300 km/h”, “Você Sabe”, “Hotel Cervantes” , “Nada a Ver” e outros, estavam na ponta da lingua da galera. Ponto alto do show, além de emotivo para os riosulenses presentes, foi a hora que o trio carioca executou sua versão para “Sem Privilégios”, da LISS. Eu que estava curtindo junto com o público, vi gente da banda derramando umas lágriminhas. Momentos emoção à parte, a banda Autoramas fez um show melhor do que fez no dia chuvoso lá no JB, em 2008, claro, tudo saiu bem num fim de semana perfeito.

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Família Weiss recepcionou o Autoramas com altos rango…

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Adriano Bettin e Bacalhau divulgam festa na Transamérica FM de BC

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Sessão de fotos no Ooby Dooby com Luca Correia

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Luiz Fernando (D) e seu bródi: fãs incondicionais


O grupo chegou quinta-feira, um dia antes do show, coisa que pouco fazem pelas turnês na estrada. O dia de sexta foi de relax, com a banda almoçando em Itapema na casa da família Weiss, num belo almoço liderado pela dona Ivonete e a caipirosa preparada pelo seu Harald. Depois de mais umas horas de descanso no hotel, Bacalhau saiu para participar da chamada para o show nos estúdios da Rádio Transamérica FM, ao lado do Adriano Bettin e ao meu lado. O papo na rádio animou muito para os show da noite, e sim, muitos amigos de fora e aqui de BC vieram prestigiar a fextênha.

Valeu!

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Wrrrroooock!

Para um evento como este sair tudo ok, precisei de vários parceiros e colaboradores. Vamos a eles. Bom, a parceria entre Ooby Dooby e Mundo47 me parece que vai continuar, valeu pela confiança Adriano e Vinícius, proprietários. Valeu também a toda equipe do bar, se não fossem eles, a noite não teria tanto sucesso.

Do lado comercial, os agradecimentos vão para a Shanghay Veículos, revendedor da marca chinesa Effa Motors em Itajaí e Balneário Camboriú. Obrigado ao diretor de marketing, Igor Kudo, aos empreendedores da marca em SC, Rodrigo Ribas Gonçalves e Guilherme Ribas Gonçalvez, valeu a vocês pela confiança no projeto. Um obrigado também especial ao pessoal da Minister – Serviços, Segurança e Eventos, de Balneário Camboriú. A participação de vocês foi fundamental! Obrigado também a loja Three Cool Cats, de camisetas customizadas e acessórios, aqui de Balneário Camboriú, pela força na divulgação, pelas camisetas para sorteio e cartazes. Obrigado aos irmãos Flávio, Anderson e o parceiro deles, Léo Telles, da Válvula Rock! Outro agradecimento ao Hotel Marambaia, de Balneário Camboriú, ao senhor Osmar Mazoca pelo apoio.

Um obrigado muito especial ao Marcelo Mattos, o Marcelo Roadie, que deu aquela força e mostrou seus conhecimentos em sonorização. Valeu man!

Outro obrigado especial ao Lucas Correia, autor das fotos do show e autor da sessão de fotos que a banda Autoramas fez no Ooby Dooby para a capa do próximo álbum. Valeu bródis!

Raio-X – Nada Surf – If I Had a Hi-FI

A banda americana Nada Surf, não é lá muito conhecida do público brasileiro, embora já tivesse passado por aqui em pequenos shows. Mas é uma banda com um material considerável desde 1995. O mais recente, de 2010, é If I Had a Hi-Fi, que reúne um punhado de covers ou versões de músicas de outros artistas… também nem tão conhecidos do grande público. Não sei se despretenciosamente ou proposital, o Nada Surf confundiu a cuca de muita gente, pois elaborou um trabalho coeso, marcante e em alguns casos, superou em muito os originais. Claro que alguns são clássicos, as gravações originais deveriam ser assim, mas a banda americana deu uma importante contribuição com esse álbum e me fez trazer a tona coisas como Dwight Twilley, Arthur Russel, Depeche Mode, Spoon e tantos outros que já estavam longe ou inexistente da minha memória.

Nos vídeos abaixo, você pode ouvir a versão do Nada Surf para cada canção gravada no álbum e logo em seguida, a gravação original. Dê uma olhada na chapa desse belo raio-x que a banda preparou.

Electrocution – Bill Fox

httpv://www.youtube.com/watch?v=aneP8nxlQG4

httpv://www.youtube.com/watch?v=q5ORkWPzyBw

Enjoy the Silence – Depeche Mode

httpv://www.youtube.com/watch?v=7npwari81xQ

httpv://www.youtube.com/watch?v=1rdfFroO67g

The Go Betweens – Love Goes On

httpv://www.youtube.com/watch?v=L2TuK7eQE24

httpv://www.youtube.com/watch?v=yq8ZH-Z59hQ

Arthur Russel – Janine

httpv://www.youtube.com/watch?v=tZy2LFlH4gQ

httpv://www.youtube.com/watch?v=HS411Ktc9vM

Dwight Twilley – You Were so Warm

httpv://www.youtube.com/watch?v=7rGr5lWv6DQ

httpv://www.youtube.com/watch?v=VH7exXiUa10

Kate Bush – Love and Anger

httpv://www.youtube.com/watch?v=82G6UxbLH0Q

httpv://www.youtube.com/watch?v=DHwW3xWAGes

Spoon – The Agony of Laffitte

httpv://www.youtube.com/watch?v=u8ExH4eRZiI

httpv://www.youtube.com/watch?v=Kde53w223ZE

Coralie Clement – Bye Bye Beaute

httpv://www.youtube.com/watch?v=Ul1Y9Pb2g-k

httpv://www.youtube.com/watch?v=rnYu2k6vTeM

The Moody Blues – Question

httpv://www.youtube.com/watch?v=XlaTttTD4LU

httpv://www.youtube.com/watch?v=IBsdHoTdOmc

Soft Pack – Bright Side

httpv://www.youtube.com/watch?v=Ypj2UPZ9knc

httpv://www.youtube.com/watch?v=pu9i8Ldpda0

Mecromina – Evolucion

httpv://www.youtube.com/watch?v=LVcS2zthWCQ

httpv://www.youtube.com/watch?v=xYPEd0GNHVw

A volta da doçura e o amor dos Brilhantines

Brilhantines em Minhas Fotos por

“Das lições aprendidas na infância” é o mais novo trabalho da banda paulista, lá de Cerquilho, Brilhantines. O quarteto que andava sumido, jogou na internet há poucos dias o seu novo EP.

Desde seu começo, há alguns anos, os Brilhantines se caracterizaram pelo som influenciado pela Jovem Guarda, mas com uma doçura bem maior, mais amor (será?) e um ar retrô gostoso, que faz lembrar bem o interior, onde tudo passa devagar, suave e o ar é mais puro.

Os integrantes,  Neto Nunes (guitarra e voz), Nilton Denardi (baixo), Dadá Costa (bateria) e Yuri Colaiacovo (guitarra e voz), imprimem em seu novo trabalho suas principais características. Pode até parecer uma continuação dos trabalhos anteriores, mas o romantismo da banda casa muito bem com aquele lance “tipo, gostamos do passado, mas estamos cá no presente, fazendo música que com certeza será ouvida no futuro”, enfim, estes são os Brilhantines.

Baixe o trabalho deles aqui e também visite aqui.

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Entrevista com DOIS no Música SC

A entrevista da semana do site MUSICA SC é com a banda DOIS. Bom, apenas Thiago Fukahori é que fala, mas o japa que é o parceirão da Indy Muller, vocalista da banda, dá o seu recado aos internautas.

Mais pra frente não perca a entrevista EXCLUSIVA de Indy Muller para o Mundo47!

Mundo47 agradece também a referência do site nos links. Tks!

Os melhores lançamentos catarinenses de 2010

Hoje é o penúltimo dia do ano, 30, dia de botar pra fora a famosa listinha dos melhores discos, singles e EP´s lançados em Santa Catarina em 2010. A produção catarinense neste ano foi muito boa, as bandas entenderam que fazer um bom disco, EP ou single, é fundamental para aparecer em qualquer cena. Começamos também a ver a organização dos grupos que fazem e promovem a música catarinense neste ano, com a SConectada e suas discussões, workshops e palestras. A lista que vou reproduzir aqui é a mesma que enviei pro Marcos Espíndola e Rubens Herbst, dos jornalões da RBS SC e que devem sair por estes dias.

Vamos então aos melhores de SC em 2010.

 

1 – LENZI BROTHERS – FORA DE ESTOQUE (BC)

Os guris de Lages/Balneário Camboriú foram para o seu quarto álbum com muita classe e estilo. Fora de Estoque foi o melhor disco do ano para Mundo47. O disco foi gravado em Lages e BC, uma bela produção e com músicas cada vez melhores. Os irmãos Marzio, Matheus e Samuel Lenzi se consolidam como uma das bandas de rock mais importante do Estado, leva o nome de SC para vários cantos do país através de seus shows e vídeos que rodam direto na MTV. Fora de Estoque já posso considerar um clássico.
2 – DOIS - SOLAR - single (Floripa)

A banda DOIS, de Floripa, faz um dos trabalhos mais sinceros que conheço. Com a frontgirl, Indy Müller, a banda vem conquistando platéias na capital com seu folk suave, simples, porém muito bem elaborado em termos de sonoridade. Para 2011, a DOIS deve começar a sair da ilha, para não começar a ser uma banda que será conhecida por passar em branco. Solar é um dos mais belos trabalhos deste ano.
3 – MARUJO COGUMELO – MARUJO COGUMELO – (Xanxerê)

Marujo Cogumelo tá ficando conhecida no Estado por ser uma banda que lança clipes perfeitos. Seus dois primeiros são obras primas de profissionalismo e estética. Faltava um álbum para completar isso tudo. O primeiro disco é prefeito, muito bem gravado, boas músicas para cantarolar, um rock com veia pop sem ofender ninguém. A banda é um grande destaque para o Estado e vindo do Oeste, longe do Litoral, é um motivo a mais para orgulho. O clipe de Nova Manhã foi pra matar isso tudo, demais!
4 – YER – FIRST OF MANY OTHERS (Lages)

Pegando carona no exemplo dos Lenzi Brothers, o power trio de Lages não faz muitos shows, cada um tem sua vida definida, mas a paixão pelo rock setentista britânico levou os rapazes a fazer um álbum fantástico e muito vintage. Com letras em inglês, Yer parece sair de algum pub sujo britânico em 1968 ou banda de abertura para algum show do Cream. Vão longe, só querer.
5-  PARACHAMAS – VOLTE SEMPRE – (Blumenau)

Essa gurizada impressiona a cada trabalho. Depois de Bem Vindo, o EP Volte Sempre foi uma evolução na música dos blumenauenses que pensam em ir para SP. A decisão é difícil, não é toda banda que tem sorte em SP, algumas até acabam por isso. O negócio é ter foco e não deixar picuinhas ganharem o dia-dia. Volte Sempre foi a consolidação da Parachamas, falta um álbum completo e um bom lançamento para a coisa andar.
6 – VARIANTES – COM PRAZER – (Chapecó)

Outro powertrio de respeito. O Variantes é uma das melhores bandas do estado, tanto em disco como em palco. O recente trabalho não tem o brilho todo como o primeiro, mas levou a lista com tranquilidade.
7- AEROCIRCO – INVISIVELMENTE – (Floripa)

A Aerocirco foi para SP, não deu muito certo, mas estão de volta, tentaram, isso é muito válido, mas eu penso que SP as vezes não é o caminho. O lance é sair daqui mesmo para tocar quanto mais fora. Trabalhos bons a Aerocirco tem de sobra, Invisivelmente é um. Um disco rock perfeito, uma veia pop que só a Aerocirco consegue fazer, seu trabalho é único na região, merece mais respeito, mas merece também ganhar o Estado, sair da Ilha da Magia, esse é o caminho.
8- LISS – AS CORES – (Rio do Sul)

A LISS, de Rio do Sul, figura sempre como uma das melhores bandas do estado. Não foi a toa que ela quase levou o Claro que é Rock em 2006. As composições do Guiulle são dignas de gênio. A banda tem um entrosamento perfeito com Rodrigo levando sua guitarra até as últimas. A LISS é do Alto Vale, terra do Tschumistock, mas escrevem uma página pessoal digna e honrosa. Rock and Rol e o belo intercâmbio que iniciou já no ano passado no famoso Porão do Duque. Queremos um álbum completo rapazes, para 2011.
9- ANTI-HERÓIS – SOMOS PIRATAS (Itajaí)

De Itajaí, a Anti-Heróis evoluiu no seu segundo álbum. Punk e hardcore na veia, só que ainda mais pesado, com mais pegada, me conquistou. O primeiro trabalho, Férias em Cancún, não foi tão bem musicalmente, mas foi uma boa estréia para dizer: “nós existimos”, o segundo álbum, mais trabalho e melhor gravado, está perfeito, não há nada para mudar. Anti-Heróis é outra banda que precisa ser notada melhor no Estado.
10- SOUTH OF MIND – UNDER THE RAIN (Guaramirim)

Uma grata surpresa da região norte, a South Of Mind é uma banda que tá no país errado, assim como a Yer. O trabalho dos guris é muito bom e tem consistência. As influências britânicas dos anos 1990 são claras. Não podem ser uma banda só para SC, tem que tentar algo fora, pelamordedeus. Under the Rain é genial.

 

BANDA REVELAÇÃO 2010:  MOTEL OVERDOSE – (Floripa)

Este ano a cena catarinense viu surgir uma nova banda. Com ex-integrantes da Pipodélica, Marcio Leonardo e Felipe Batata, acrescido do baterista Marcio Bicaco, que foi de Cassim & Barbária.  Você vai ouvir muito ainda sobre eles…

MELHOR SHOW 2010 – PAUL MCCARTNEY EM PORTO ALEGRE

Ele não é de nenhuma banda catarinense, mas escolhi o show do Paul como o melhor show de 2010, em Porto Alegre. Vi também um de SP, mas em POA foi mágico, foi rock, vários catarinas presentes na festa histórica.

APOSTAS PARA 2010

Motel Overdose, Cassim & Barbária, South Of Mind, DOIS, Marujo Cogumelo

Cartaz histórico e depoimento histórico do show dos Ramones em SC

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O ano era 1994, o show principal era dos Ramones, o cartaz é coisa do Klaus Loos, mas o depoimento a seguir foi chupado do blog do Bola Teixeira.

Recebo da Fab o folheto – histórico – do Acid Chaos que aconteceu em BC, com Raimundos, Ramones e Sepultura. Aproveito para socializar um capítulo de um livro que não sai da gaveta. Aí está
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Verãozaço. Estou na orla, sol de rachar a cuca. Acabo de comprar o álbum The Real Thing de uma banda chamada Faith no More. Descubro através da FM mesmo. Epic é a musica que está rolando no dial. Fico vidrado na ânsia de quero mais. Não tenho nem onde escutar. Moro longe e fico tarando a capa e todo o list sentado no muro de arrimo da Atlântica, ali próximo da 2400.

Mike Patton é o vocalista. Sabe tudo. Chamam o estilo de funk rock, metal alternativo, metal progressivo, sei lá que porras são essas. Mas que os caras mexem com a estrutura do rock, com certeza mexem. Chego em casa e devoro o álbum. Descubro outras pérolas quase que no último volume: Falling to Pieces, Edge of the World, From out of Nowhere, todas assinadas por Patton, que mais tarde fico sabendo The Real Thing é o álbum de estréia do figuraça na banda. Bom demais!

Passam-se dois anos. Faz pouco tempo que crio um jornal com uma amiga. Um semanário onde fiquei fazendo de tudo um pouco por quatro anos até encher o saco. Mas isso não vem ao caso. Recém criado o jornal fico sabendo que o show da banda Faith no More está confirmada para acontecer em Curitiba.

- Ah! Impossível perder!

Pego minha cara metade e sigo rumo a capital paranaense. Acho que é uma área para exposições. Cheio de gente. Depois de algumas horas de espera, um jogo de luzes anuncia a chegada do Faith. Surgem apenas as silhuetas e uma figura vestida de terninho branco e chapéu panamá. Patton arrebenta. A banda detona um show inesquecível. Saímos plenamente saciados de nosso apetite.

Antes de iniciar o show, enquanto esperávamos, desperta uma curiosidade. Há um som ambiente que não me é estranho e que há muito tempo não ouvia. É Ramones. Vou até o cara da mesa e pergunto:

- What is this?
- Ramonesmania! Yeahh!, responde o carinha com entusiasmo de fã.

A última audição de Ramones havia sido há 10 anos, justamente no US Festival, na California. Volto de Curitiba e vou direto a loja de discos comprar o álbum duplo com um desfile de sucessos da banda norte-americana. Por um bom tempo é audição obrigatória no meu pick up. Nutro uma paixão tardia pela banda, bem tardia! Começo a comprar álbuns antigos da banda. Me informo mais sobre os Ramones e compro todos os álbuns que são lançados no modernoso CD, mídia que viria substituir o vinil. Mondo Bizarro e Acid Eaters (esse só de covers) é ainda da época do vinil.

Até que fico sabendo que a banda estará na minha cidade. Mentira. Belisca, isso não é verdade. É verdade. Dois anos depois de redescobrir Ramomes num show do Faith, Joe, Johnny, CJ e Marky estão numa tour pelo Brasil junto com Sepultura e os meninos do Raimundos. O slogan da batizada Acid Chãos Tour: “Este show irá tirar você do sério”.

Imperdível. Vou cobrir para o meu jornal. Fico uma pilha de nervoso. Os Ramones não dão trégua. Não consigo chegar perto deles. Entrevista só com as duas bandas brasileiras. Então tá. Não posso falar? Mas posso tocar. Credencial na mão, vou direto pro chiqueiro e de lá não saio até que comece o show.

Bem. Antes todo o clima do show. Sigo para o local no início da tarde. Uma fila gigantesca começa a se formar na entrada do pavilhão. Sol de abril. A garotada, na sua grande maioria, toda vestida de preto. Não há outra razão. As figuras de suas bandas preferidas estampadas no peito. Não precisa dizer quais as bandas de maior preferência. A fila aumenta, quase dobre o pavilhão. Manifestações típicas de fãs e nada dos portões abrirem.

- Não acredito!, ouço o berro histérico de um fã ao ver a chegada dos Ramones no pavilhão.

O clima ficou insustentável. A multidão força a barra e quebra com todo o sistema de segurança montado para o show. A porta principal, de vidro, vem abaixo. Parece ser uma conquista do público que lota o pavilhão.

Vou até os camarins. Consigo engrenar um papo com Rodolfo e Caniço. Nada dos Ramones. Que tristeza.

“A gente vai adentrar todos os buracos que a gente puder, além dos ouvidos”, arremata o vocalista Rodolfo, nos camarins.

Termino a entrevista e sigo pro chiqueiro. Entra o Raimundos com o álbum de estréia fresquinho e mostrando aquela novidade toda de misturar rock com baião, forró e outras coisas nacionais. Gurizada vibra com Puteiro em João Pessoa e Selim (imagina essas letras despudoradas!!), um prévia do que tinha por vir em seguida.

Estou no chiqueiro. Os seguranças quase que não conseguem segurar a fúria da gurizada quando sobem ao palco Joe, Johnny, CJ e Marky. Joe, estático em frente ao pedestal. Não fala nada e dá a senha: one, two, three, four … Meu coração dispara, a platéia explode, dança e canta todos os clássicos petardos dos Ramones. Não sei se fotografo ou subo no palco. Estou a alguns pouquíssimos metros de Joe, quando estico o braço alcanço seus pés. Finalmente a adrenalina estabilizou e saio clicando os quatro Ramones. Inesquecível!

Termina o show. Falta o Sepultura, com direito a Max Cavalera no vocal. Chega a cidade com uma referência de peso, a de melhor banda brasileira de 1993. Saio do chiqueiro e não retorno mais. Fotografo de longe o show porque os metaleiros invadem o chiqueiro. Não há mais chiqueiro, somente o som pesado do Sepultura. Delírio da gurizada de preto. O vozeirão de Max ecoa pelo pavilhão. Um show histórico. Quem foi, foi, quem não foi não acredita que existiu.

Por Bola Teixeira

Repolho: SC Chinelagem Coragem

Repolho - querêmo róque

Colonagem Cibernética adquirida, detalhe: com téra na unha

Os irmãos Coragem do Oeste Catarinense seguem sacando suas pistolas e disparando suas chinelagens pelo país. Os irmãos Demétrio e Roberto Panarotto são definitivamente patrimônios culturais de Santa Catarina, ahhh, gurizada que dá orgulho.

Segue o link com a entrevista dos caras para o site Os Armênios.

Diga lá rafael, segue entrevista que demos para os armênios, abs, demétrio:

VOL.4 do Repolho “di gratis” na Web para donwload

Roberto e Demétrio lideram o esporro acelerado do Vol.4

O Repolho está de volta!

A partir de hoje você poderá baixar gratuitamente o quarto disco da banda catarinense (from Chapecó, SC), que é uma das mais importantes da cena independente do Brasil. Sob a batuta dos irmãos Roberto e Demétrio Paranotto, o Repolho chega ao quarto e maravilhoso álbum, o Vol. 4 .

Recebi o disco dia desses, quando  Demétrio me disse que a chinelagem estava de volta. O álbum é mesclado com algumas releituras de músicas antigas, mas que ganham excelente roupagem e com a velha e boa característica do trabalho da banda Repolho e também do projeto II , o Irmãos Panarotto, que já lançou álbum também.  Além da presença de Roberto e Demétrio, ícones e lendas da música independente de Santa Catarina, a banda é completada com a presença de Anderson Birde, Gabriel Bubu no baixo e Marcelo Mendes.

Sobre os integrantes eis uma história curiosa. Ser baixista do Repolho não é sinônimo de emprego. Quem tocou baixo nesse repertório foi o Gabriel Bubu (doAmor e Los Hermanos). Baixista novo? Alguém pode perguntar, e eles respondem, os baixistas do Repolho sempre são novos e parecem ter prazo de validade curto, o que faz com que os discos do Repolho sejam gravados por baixistas diferentes: O primeiro (Vol. 1) foi gravado pelo Girino que era o baixista do que poderia ser considerado a versão clássica da banda; o segundo (Vol. 2) pelo Frank Jorge (da Graforréia Xilarmônica); o terceiro (Vol. 3) pelo Michel Marcon (dos Red Tomatoes); o compacto temático em vinil (intitulado Sorria Meu Bem) o baixo é tocado pelo Carlo Pianta (primeiro baixista do De Falla); e o próximo provavelmente vai ser gravado pelo Marcelo Mendes que é o baixista atual da banda (isso se ele se comportar bem). No disco, ainda, o Mendes faz pequenas participações (um vocal na “Paz na Xexênia” e um segundo violão nas músicas gravadas pra MTV)

A grande novidade do disco e que talvez não seja tão grande assim é que esse disco marca a volta do baterista da formação original Anderson Birde. Na verdade ele processou a banda alegando que ele havia sido expulso. E ganhou a causa. Como a gente não tinha dinheiro pra pagar as despesas readmitimos ele na banda como pagamento. E ele voltou bem faceiro que nem pinto no lixo. Traduzindo para o idioma local: pinto no abatedouro.

O disco foi gravado em Porto Alegre no estúdio Fuinha Feliz. Uma parceria com Os Marmottas grande banda portoalegrense que toca em algumas faixas do disco e foram os responsáveis pelo mesmo. A produção ficou a cargo da própria banda já que os custos estão reduzidos. Mas a masterização ficou por conta do Thomas Dreher.


Set List:

01 – Benga em Liverpool

02 – Meu bem Talvez Seja a Última História de Amor

03 – Paz na Xexênia

04 – Novembro Chuva

05 – Carla Fernanda (ao vivo MTV)

06 – Lover Caos (versão fita cassete s/overdubs ou qualquer tipo de efeito)

07 – Abel e Cain (Versão Vol. 1)

08 – Charme de Cachorro (ao vivo MTV)

09 – Juvenal (Acapela ao vivo)

10 – Lilico Horse Flat (ao vivo c/bacon)

11 – Buca Chica Buca

12 – Visita (versão Campo e Lavôra)

13 – Bulinando o Travesseiro (versão Chapô a Galeria)

14 – Bilú Tetéia (versão Horta da Alegria)

15 – Cimirely Banger (versão Horta da Alegria)

16 – Satânica (the new version)

Intervenções: OsMarmottas, Tyto Livi, Paranóia, Cachorro Grande, Epopéia, Girino, Fernando Strezelecki, Edu K, Alexandre Ograndi. Entre outras referências e samplers que gostamos de citar e não de revelar suas origens.

VEJA ONDE BAIXAR O NOVO ÁLBUM!

e o agito com balalau, depois de vários problemas técnicos, voltou as ativas
http://acb2.wordpress.com/

Cassim & Barbária embarcam para o Canadá

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Depois de um show memorável no aniversário de 3 anos da Contracapa de Marquinhos Espíndola, o combo catarinense Cassim & Barbária embarcam hoje para o Canadá para shows no Pop Montreal e no Indie Week Canadá, em Toronto. Mesmo desfalcado dos Márcios (o baixista Márcio Leonardo e o o baterista Márcio não vão), a banda vai contar com a ajuda de Amexa, dos Ambervisions no baixo e Zimmer solito moendo a batera. Segundo Zimmer as apresentações são importantes para a carreira internacional do grupo e de lá, o gordinho erótico promete abastecer Mundo47 com as novidades em tempo real. Na festa da Contracapa o grupo fez a melhor apresentação da noite, que contou ainda com apresentações fodásticas do Aerocirco (melhor show que vi deles) e a volta (nem tão volta assim, segundo Asdrubal) do The Dolls, que fechou a noite relembrando e deixando saudades das noites róque do Underground Rock Bar. Cassim & Barbária foi muito bom, Cassiano cantou como nunca e a banda mostrou o extremo entrosamento e habilidade para executar suas canções. Como disse o mestre Rubens Herbst, do blog e coluna Orelhada. “Não é qualquer banda que faz um show e deixa de tocar seu maior hit” (Catastrofismo ficou de fora do set).

Artistas brasileiros revisitam Beatles de 1969

Discos abrangem músicas do Projeto Get Back, Abbey Road e outras de 1969

Hoje, 26 de setembro, o famoso álbum dos Beatles, Abbey Road, chegava às lojas britânicas e consequêntemente no resto do planeta. O derradeiro álbum gravado pelos fab four foi um sucesso estrondoso no mundo e quebrou muitos paradigmas. Dentro da banda já estava tudo uma merda, mas John, Paul, George e Ringo resolveram encerrar a carreira em alto nível e dando um presentão para a posteridade.

No Brasil as comemorações dos 40 anos de Abbey Road tem um gosto completo. O jornalista e produtor Marcelo Fróes é um grande fã da banda e em 2008 fez um belo tributo ao Álbum Branco, lançado pelos Beatles em 1968 e que também comemorava 40 anos. A homenagem rendeu três discos com diversas bandas, cantores e cantores brasileiros tocando as músicas feitas pelos fab naquele ano.

Marcelo segurando sua preciosidade

O repeteco se deu agora em 2009, nas comemorações dos 40 anos de Abbey Road.  Entre janeiro e julho foram mais de 60 canções gravadas para este álbum, englobando o famigerado Projeto Get Back (que mais tarde foi condensado no Let It Be), gravado entre janeiro e fevereiro de 1969 pelos Beatles e no final das tumultuadas sessões, foi literalmente jogado para escanteio. Em 1970 as fitas foram entregues para Glyn Jones que não deu muito jeito na coisa. O disco foi lançado oficialmente em abril, já quando os Beatles anunciavam a separação. O Let it Be teve os dedos de Phil Spector nas traquinagens finais.

Depois as gravações de Fróes chegam ao Abbey Road de fato, com artistas gravando aquelas músicas. O outro disco é com músicas feitas pelos Beatles em 1969, mas que não chegaram a entrar nestes álbuns,  acabaram virando músicas dos primeiros discos solo de cada um.

Os discos contam com participação de duas bandas catarinenses, Aerocirco e Reino Fungi. No time nacional outra seleção de feras. Nos anos 1970, Milton Nascimento e Elis Regina gravaram Golden Slumbers, que entrou no disco de Fróes. Ai tem uma pá de gente, como Zé Ramalho, Frejat, Rodrigo Santos, Capital Inicial, Jota Quest, João Donato, Mallu Magalhães, Matanza, Ultrage a Rigor, enfim, uma grande seleção de artistas da música brasileira.

Beatles Brasil faz um apanhadão sobre o Abbey Road

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No hot site também tem link do Projeto Beatles 69, de Marcelo Froes

A equipe do site The Beatles Brasil fez um apanhadão legal sobre os 40 anos do Abbey Road.  José Carlos Almeida, o boss do negócio, preparou um mega passo-a-passo das gravações de um dos maiores álbuns da música pop, gravado pelos Beatles em 1969. Também rolam partes curiosas, como o destino do fusquinha que aparece na capa, um senhor que observa ao longe os quatro cabeludos atravessando a rua, link para você ver Abbey Road 24h. O que eu me sinto honrado foi do convite do JC para que eu pudesse dar um depoimento sobre minha experiência quando conheci o álbum Abbey Road. Estou lá, no meio de feras da beatlemania nacional!

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Confira o hot site montado pelo Beatles Brasil

Resenha: Tindersticks – Teatro Micaelense 12/02 – Portugal

 

 

Por Alexandre Lima *

 

Como nunca havia ido a show nenhum no pomposo Teatro Micaelense, cheguei cedo. Num ar de total estranhamento, perambulei pelos corredores até me ver “desarido” no hall de entrada quando notei uma mesinha com camisetas do Tindesticks. Me aproximei e comecei um agradável papo com Ian, road manager ou vendedor de camisetas (whatever), enquanto observávamos uma estranha platéia ir chegando aos poucos. Muita gente bem vestida” e “a lot of seniors” como observou o tal Ian. Fui sem grana, nada de camisetas ou cds.

Chegada a hora, lugarzinho marcado, aviso de “nada de telemóveis ou imagens não autorizadas” … Tá bom, tá bom … é um show! Chega de frescura, pô! Mas antes que eu tivesse tempo de me aborrecer, entra o simpático David Kitt pra fazer o show de abertura. Bela surpresa! O show dele começou mais ou menos assim:http://www.youtube.com/watch?v=J9URQWaNeo8 ou http://www.youtube.com/watch?v=usLBuZgbeUo , só o cara e a guitarra. Depois, ele ligou um laptop pra fazer umas bases. Bastante feeling, gostei mesmo. http://www.myspace.com/davidkitt

Depois de um intervalo de quase meia hora, o povo se acomoda nas cadeirinhas outra vez, as luzes se apagam e uns senhores muito bem vestidos vão um a um ocupando os seus lugares ao palco abaixo de uma generosa salva de palmas. Primeiro, piano e cello, depois, baixo e bateria abrem com a intro do novo disco “The Hungry Saw” em um clima pra lá de introspectivo. Em seguida, entra o resto da banda e Mr. Stuart Staples (com a menor pinta de quem vai pra bordel) ovacionado calorosamente. Segue-se “Yesterday Tomorrows”, também do disco novo. Pandeiro na mão, Mr. Staples mostra ao que veio: Sua característica voz de barítono continua em ótima forma e o carisma é deixado somente para a entrega à música em si, com a comunicação limitando-se ao nome de algumas músicas e reservados “thank you” ao final das mesmas.

O repertório é baseado no lançamento mais recente e deixa a grande maioria com olhares curiosos, mas mesmo assim, reverentes. O que chamou a minha atenção foi o modo como a dinâmica dos instrumentos é usada. A formação atual dos Tindersticks centra-se em três integrantes originais, mas no palco são sete. Stuart, além dos gravíssimos vocais, toca guitarra acústica, elétrica, pandeiro e maracas. Bateria, baixo e guitarra prestavam seus serviços de forma muito elegante e eficiente. À esquerda do palco, duas figuras razoavelmente calvas revezavam trompete, sax barítono e alto, cello e percussões. Ao fundo, outro integrante original comandava piano rhodes, sinths e xilofone. Achei que a escolha da instrumentação foi muito bem adequada ao que pedia cada canção. Uma banda como os Tindersticks, que tem um repertório majoritariamente lento tem que ter muito cuidado pra não ter um show “morto” demais. Esse cuidado foi tomado, ao que dei graças. Estava com medo de ficar sonolento já que não sou nada acostumado a ver show sentadinho numa poltrona. Por momentos, apavorei a senhora do meu lado com a minha agitação. Ao início das músicas, mesmo as mais paradas, Stuart proferia um ramonesco: One, Two, Tree, Four.

Em “City Sickness”, aplausos fortes ao reconhecimento dos primeiros acordes. Me surpreendeu o número de fãs, que ao final, não fizeram um segundo de silêncio até o encore, que veio com a lindíssima “Tiny Tears” (um “WOOO-HOO” bem atrás de mim acusava um fã satisfeito). “Boobar” do novo album, fechou a noite. Voltei a pé pra casa com a alma inundada de música e os quadris doloridos da cadeira.

 

 

* Alexandre Lima é o lendário Lima, que até pouco tempo atrás residia em Santa Catarina e tocou em lendárias bandas muito respeitadas por Mundo47 como Minds Away, The Selves, Spengler Tenglers, Cuba Drinker and The Hi-Fi´s e outras. Atualmente o rapaz mora numa das ilhas portuguesas de Açores.