Category: Notícias Rock

O desafio de viver num mundo sem David Bowie

Jones, Bowie, Ziggy, são todos um só, retornando para sua galáxia.

Jones, Bowie, Ziggy, são todos um só, retornando para sua galáxia.

Depois de uma péssima segunda-feira, com tantas manifestações no Facebook, eu finalmente consegui ordenar algumas ideias na minha cabeça sobre a passagem de David Bowie para as estrelas. É, Bowie colocou no nosso imaginerio que se um dia partisse, ele iria para as estrelas. Foi estranho acordar com a notícia da morte dele. Foi inesperada, já que na sexta, comemorávamos seu aniversário de 69 anos e o lançamento de Blackstar, seu novo álbum. Eu estava de folga em Florianópolis e pensei: vou deixar para ouvir segunda-feira que está tudo bem. Não estava. Ontem foi duro ver e ouvir o trabalho Blackstar. Pela primeira vez um álbum de Bowie não vinha com sua foto. Será que Bowie nos preparou para o que viria? Tudo indica que sim.

Minha primeira lembrança de Bowie foi no começo dos anos 1990, quando eu quis saber quem era aquele que cantava Under Pressure com o Queen. Na época a MTV saciou minha curiosidade e durante algum tempo, era referência para conhecer o artista. Mas foi em busca de seus álbuns que eu conheci a sua genialidade. Ouvir pela primeira vez Space Oddity foi revelador, quando me senti no filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço. Porquê diabos Kubrick não pegou essa música para o filme né? Já no final dos anos 1990 eu havia conseguido muita coisa de Bowie, discos, os primeiros DVDs, apresentações em VHS e também revistas que contavam sua trajetória. Foi glorificante ver que também ele era um fã dos Beatles. Um ídolo que reverenciava seus ídolos. Bowie era mais novo que a maioria dos artistas dos anos 1960. Tinha só 22 anos em 1969 quando realmente despontou.

Os anos passaram e em 1997 eu soube que ele estaria pelo país. Na época, com 17 anos e ainda dependendo do soldo oferecido pelos pais, sem trabalho e tendo que estudar muito, a sua passagem por aqui passou batido. Uma frustração imensa na minha cabeça. Caralho! Não vi David Bowie há 250 km da minha casa. Mas paciência tinha que ser.

Nos últimos 10 anos a presença de David era constante… constante nos vídeos que assistia no YouTube, constante nos discos que conseguia, constante nos DVDs, porém o artista, David Jones, estava recluso. Bowie havia ficado doente e se retirou dos holofotes. Poucas aparições, raras entrevistas, um homem recluso, tal qual como Syd Barret, seu ídolo, foi durante o resto da sua vida. Será que Bowie vai virar um Syd??? Me perguntava. Não poderia imaginar isso acontecer. Foi ali em 2013 que ele resolveu soltar um novo álbum. Novo álbum de David Bowie? Então o sr. Jones resolveu sair de casa para gravar algo como Bowie. Foi fantástico e em pré venda na internet, comprei o novo álbum The Next Day. Para mim uma enorme sensação de poder finalmente poder comprar um álbum inédito de um grande artista como David e eu o comprei.

A sensação momentânea é de perda. Saber que David Bowie não estará mais entre nós é um pouco duro as vezes, mas como a imprensa mesmo rotula, o “camaleão”, nos deixou um legado insuperável de qualidade e liberdade artística. Bowie fez e experimentou o quanto pôde. Parcerias mil, tendências aqui, acolá, um enorme jogo de mutações que lhe deu um grande respeito perante o seu público e também a opinião pública. Bowie teve coerência em grande parte de sua extensa carreira. Saudades? Sim, ele vai deixar, mas certamente ele partiu com a sensação de dever cumprido. Talvez por isso Blackstar seja uma espécie de testamente, uma espécie de adeus.

Muito obrigado Ziggy, até uma próxima em outra galáxia.

Morreu Júpiter Maça

Flavio Basso tinha 47 anos e morreu hoje em Porto Alegre.

Flavio Basso tinha 47 anos e morreu hoje em Porto Alegre.

O dia 21 de dezembro de 2015  foi uma merda. Começou para mim com problemas no trabalho, uma conversa amarga com um prestador de serviço. A tarde, a notícia do incêndio que destruiu o Museu da Lingua Portuguesa em São Paulo e agora há pouco, soube do falecimento de Flávio Basso, 47 anos, mais conhecido como Júpiter Maçã, ocorrido em Porto Alegre.

A maioria das pessoas erra feio em falar que o Rock Gaúcho são Engenheiros do Hawai ou Nenhum de Nós, a essência do Rock Gaúcho era Flavio Basso. Não somente por ele ter passado por bandas como TNT ou Cascaveletes, mas por personificar um movimento de música autoral fora do eixão, que simplesmente marcou e ainda marca a música, o rock nacional. Atrás de caras como Flavio, o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, trouxeram para este mundo musical, MUITA GENTE boa, todas influenciadas nesse start chamado Júpiter Maçã, Júpiter Apple, enfim, mutante, Flavio Basso era um gênio e ao mesmo tempo, compositor de grande valia.

Nesses poucos minutos que soube de sua passagem, fiquei procurando na minha memória a primeira vez que ouvi uma canção sua. Foi lá em 1997, quando ouvi pela primeira vez Miss Lexotan 6 mg. Demorou mais uns 4 anos para que eu fosse até uma apresentação sua pessoalmente. Aquele universo psicodélico dos anos 1960, que eu havia somente lido nos livros e visto nos filmes, se transportou imediatamente para minha mente. Aquele show que vi em Porto Alegre, com o Sétima Efervescência tocado na íntegra + algumas de sua fase Apple, me deixaram com uma imensa sensação de prazer e satisfação.

Anos depois, alguns shows, algumas chalaças com os amigos para comemorar o rock, eis que em 2015 o Flavio estava aqui pela região. Alguns shows… infelizmente eu não pude ir. Até falei para minha garota “ele vai voltar, aí a gente vai…”…  é Letícia, me enganei, vamos ter que nos contentar com discos, vídeos e visualizar nosso amigo Flavio pelo cosmo…

Rest in Peace.

 

Alexei Leão lança novo trabalho 320 on Hart Street

Novo álbum de Xei foi gravado em NY

Novo álbum de Xei foi gravado em NY

 

Acontece amanhã o lançamento do álbum  XEI – #320 on Hart Street

Lançamento: 17 de Novembro (Terça-Feira)

XEI é o apelido carinhoso dos amigos para com o produtor, compositor e vocalista Alexei Leão.

Criado em Florianópolis, XEI mudou-se para os Estados Unidos no início de 2014 para aprofundar seus estudos em Engenharia de Audio e Produção Musical, formando-se com honras e como primeiro aluno da turma no Institute of Audio Research, o instituto de música mais antigo do mundo.

Desde sua chegada a Nova York o número 320 na Rua Hart foi sua morada, motivo pelo qual nomeou seu trabalho de estreia como artista solo de #320 on Hart Street.

XEI, que dedicou sua vida inteira a cantar heavy metal, mostra nesse primeiro trabalho solo um outro lado até então não explorado. Temas acústicos baseados principalmente em violões e teclados, arranjos simples mas cuidadosos, melodias bonitas e interpretações marcantes.

Este álbum é todo baseado em experiências pessoais vividas num passado recente e, principalmente, durante sua estadia nessa nova cidade. As músicas são como relatos íntimos onde o artista se expõe sem medo. O repertório inclui uma música (An Angel on Hart) escrita em homenagem ao grande amigo e parceiro de vida artística, Rafael Scopel, falecido num acidente de carro em maio desse ano.

Nova York é conhecida por ser berço da cultura Hip Hop, e essa presença marcante na cidade aparece de forma explícita em #320 on Hart Street, com a participação do rapper americano Ralph G.A.M.B.L.E em Karma, música que também conta com Marcelo Moreira (Circle II Circle, MARMOR) na bateria.

Outro convidado especial é Daniel Galvão (Camerata Florianópolis, Enarmonika) tocando cello em Hey Darling.

Ao todo, oito músicas fazem parte do álbum que está sendo lançado em formato digital para download e numa edição especial limitada em Vinil. Todas compostas, arranjadas e produzidas por XEI no AML Studio NY.

Alguns vídeos dos primeiros singles já lançados desse trabalho podem ser assistidos no YouTube. Até final do ano todas as músicas também serão disponibilizadas no formato de videoclipe.

 

Download: soundlcoud.com/alexeileao

Comprar: cdbaby.com/Artist/Xei

Fanpage e Vídeos: facebook.com/alexei.XEI.leao

 

 

 

Dr. Jorge e Mr. Seben: nova banda com velhos camaradas

Primeira música da banda já está na web. Vem mais por aí.

Primeira música da banda já está na web. Vem mais por aí.

E a rapeize de Florianópolis do rock está com uma banda nova na praça. Dr. Jorge e Mr. Seben, que reúne os parças Jorge Gomes (contrabaixo e voz) e André Seben (guitarra e voz) mais Alex Arroyo (guitarra), Adriano Barvik (bateria). Seben, velho conhecido deste espaço, saiu há um pouco mais de um ano dos Chefes e hoje toca também com a Farra do Bowie e Vagabond Hotel.

O trabalho de Dr e Mr é autoral, mas o primeiro lançamento disponível na web é  uma homenagem aos pioneiros do rock n’ roll de Florianópolis da banda XYZ. Recriamos a música de Julio Cesar Salum (Matuzo), que ao lado de Paulo Vaz (Paulinho Feetground), Tony Montana e Ricardo Salum fizeram história no início dos anos 1990, logo após a implosão da icônica Têmpera.
O som é aquele bom e velho rock and roll com aquela guitarreira típica do canhoto Seben. A melhor coisa é tacar um play no Soundcloud e curtir. Segundo André Seben, o trabalho de Dr. e Mr tem 10 músicas. Negócio é aguardar a sequência de boas canções.

Etílicos e Sedentos prepara tributo ao rock de Brusque – novo clipe

Etilicos e Sedentos com o produtor Márcio Pimenta.

Etilicos e Sedentos com o produtor Márcio Pimenta.

A Etílicos e Sedentos, de Brusque, estará lançando em novembro o álbum 88350-000 – Um Tributo ao Rock Brusquense. O álbum é formado por releituras de músicas de bandas e artistas da cidade de Brusque, em Santa Catarina, abrangendo diversas gerações musicais. Entre os artistas/bandas homenageados neste Tributo estão: Pulsação, Claviceps Purpúrea, Cabeça de  Mente, Afarte, Galáxia, Bandeira Federal, Ricardo Silva, Bêrsadi, Sub-Versos e Híbridos.

O nome do projeto faz referência ao CEP geral do município (88350) e veio de uma inspiração/homenagem a uma K7 demo lançada em 1988 de maneira conjunta por 2 bandas punks da cidade, a Shit e a Dabesta.  Os Etílicos e Sedentos é uma banda que faz e acontece na terra da Havan. Formada por  Cleber de Limas (vocal); Lucas Rhuan Fischer (Guitarra); Juninho Tavares (bateria) e André Gomes (baixo), a banda já lançou bons álbuns na cena roqueira de Santa Catarina.

Antes do álbum ir pra praça, a banda lançou nesta semana o clipe de uma das canções do álbum. A excelente versão para “Elevada Visão”, é uma música de  Widmann Muller e Marcelo Fischer (Banda Cabeça de Mente e Banda Pulsação)


Baixe esta música e outras da Etílicos e Sedentos em http://soundcloud.com/etilicosesedentos

NDE: Ontem erramos. Colocamos uma foto antiga da banda Etílicos e Sedentos. Peço desculpas aos integrantes atuais da banda. Já um figura, que não faz parte mais da banda, tratou de me mandar um e-mail para me esculhambar. Educação mandou lembrança amigo.

 

Ruca Souza e o clipe de Fora

Ruca: Mais de 10 mil views no Facebook.

Ruca: Mais de 10 mil views no Facebook.

 

Eu já reclamei algumas vezes. Faltam garotas no rock and roll local. Mas a salvação sempre veio lá de Itajaí. “Tem a Ruca”. Sim, tem a Ruca, a jornalista e cantora que lançou recentemente o excelente álbum Marte. O clipe lançado agora é de “Fora”, mais uma canção do disco. Psicodélico e lisérgico e com a participação de outro figura das ondas espaciais, Cainã Moreira, da Helvéticos.

“Fora” traz a perspectiva da vida que acontece externa a nós, ao mesmo tempo em que o nosso mundo só se move a partir de dentro. “A inspiração para essa música vem de estudos sobre projeção astral e espiritualidade. Apesar da música ser um tanto agressiva porque é um rock cru, a ideia é mostrar que só através do próprio esforço interno é que cada um faz sua evolução.Somo herdeiros de nós mesmos”, diz Ruca.

O clipe foi gravado em Balneário Camboriú/SC nos estúdios da iPhoto Editora, com direção e captação de imagens de Jones Herter (Nomade Filmes). A edição e motion grafics que criaram toda a psicodelia no clipe ficaram a cargo de Juan Manoel Palomino Dominguez, do NNE Studio.

Julia Sicone é uma boa novidade na música de SC

Com 16 anos, música de gente grande e ela é daqui: Julia Sicone é a boa novidade do ano.

Com 16 anos, música de gente grande e ela é daqui: Julia Sicone é a boa novidade do ano.

Sempre tive um pé atrás com prodígios, mas não podemos jogar todos na mesma lata azeda. O mundo mostrou sempre que alguns prodígios prosperaram e viraram artistas de grandeza extrema. No Brasil, o efeito Mallu Magalhães foi um fato, mesmo não demonstrando qualidade, mas novinha, ela cantava Jonhny Cash, isso levou os indies a loucura. Vamos falar de novidade. Julia Sicone é estudante. Está no colégio ainda, mas quando caiu na mão de gente profissional e com boas intenções, conseguiu passar para o áudio, tudo aquilo que havia composto e tocado. O seu primeiro EP “Something Unreal”, caiu como uma agradável novidade para 2015 e para nós, que escrevemos sobre música, pensamos: tem futuro.

 

Julia Sicone é de Florianópolis. A ilha da magia hoje é um amplo celeiro musical e muita coisa do que aconteceu no final dos anos 1990 e anos 2000, floreceu em boas produções, profissionais e estúdios. O trabalho da Julia Sicone caiu nas boas mãos do Estúdio Urbano com a produção de Cisso Fernando. As músicas chamam a atenção pelo timbre da voz e as boas composições, fortes referências de cantoras como Lorde e Selah Sue. Com o lançamento do EP na web, o trabalho da Julia já conta com um clipe lançado pelo Urbano TV, um canal de música do estúdio Urbano com a excelente performance ao vivo de Trust Me. Enquanto aguarda os CD’s, a cantora prepara o seu show e já agenda algumas apresentações pelo estado.

 

Helvéticos prepara novo álbum e lança clipe na web

helvéticos

Depois de muitas mudanças na sua formação, mas sempre com Cainã Moreira na voz e guitarra, os Helvéticos estão com novo álbum na praça. O lançamento será em setembro e para dar um pouco do gostinho do que virá, a banda já botou na web seu novo clipe. “Deixa Acontecer”, que faz parte do disco “Hipnose”, o segundo na carreira da banda catarinense. O clipe é editado com imagens realizadas no estúdio Marquise 51, em Porto Alegre, durante o processo de gravação do novo álbum.

Ficha Técnica:
Imagens – Thiago Gonçalves (Parapluie Produtora)
Edição – Cook Mella

Cilla Black morre aos 72 anos

Cilla faleceu no último dia 02, aos 72 anos na Espanha.

Cilla faleceu no último dia 02, aos 72 anos na Espanha.

Cilla Black ou Priscila Maria Veronica White, não foi uma cantora popular para o público brasileiro, aliás, poucos a não ser os beatlefans a conhecem, mas sua contribuição para a música pop, principalmente nos anos 1960, foi imensa. No último domingo de manhã fomos acordados com a notícia de que Cilla havia falecido em sua casa na Espanha. Ela tinha 72 anos.

Sua carreira começou paralela aos Beatles, já que em 1961 ela ganhou um emprego como garçonete no famoso Cavern Club, onde os Beatles tocavam regularmente. Cilla aproveitava a simpatia dos rapazes para dar uma palhinha nos shows da hora do almoço e no alvoroço das sessões mais a tarde. No imenso cast de artistas do Mersey – bandas que fizeram sucesso de carona na ascensão dos Beatles – Cilla foi uma das que mais brihou depois dos rapazes.

Uma das contratadas do time de estrelas do rock de Brian Epstein

Uma das contratadas do time de estrelas do rock de Brian Epstein

John Lennon que convenceu o lendário empresário Brian Epstein a contratar a jovem cantora e de quebra, prometeu músicas Lennon & McCartney com exclusividade. Sim, Cilla foi intérprete de canções compostas por Paul e John que não foram gravadas oficialmente pelos Beatles. Mas não foi só de Beatles que Cilla sobreviveu. Seu primeiro sucesso grande foi “Anyone Who Had a Heart”, de Burt Bacharach. Burt também foi pessoalmente gravar em take 1 a canção “Alfie”. Cilla tinha o privilégio de ter George Martin como produtor e gravar suas músicas em Abbey Road.

Após a morte de Brian Epstein, em 1967, Cilla continuou sendo agraciada com canções Lennon & McCartney, sendo “Step Inside Love”, um de seus maiores sucessos. Nos anos 1970, sua carreira como cantora começou a ficar mais morna e logo ela virou apresentadora da TV Britânica, inclusive, as notícias de sua morte mais enfatizaram sua carreira como apresentadora de TV do que como cantora. Em 1993 ela recebeu a sua MBE – Member of British Empire, mesma medalha recebida pelos Beatles em 1965.

Canções exclusivas por Lennon e McCartney

Canções exclusivas por Lennon e McCartney

 

 

Ronnie Von faz história e toca sons psicodélicos na TV aberta

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E o Titio Ronnie Von ainda dá o que falar. Depois de uns 15 anos sendo cultuado pelas novas gerações, que com o advento da internet, descobriram os três maravilhosos álbuns psicodélicos gravados por Ronnie entre 1968 e 1970, o cantor finalmente fez uma apresentação dessas músicas na TV aberta.

Acompanhado da excelente banda Os Haxixins, caras que sabem TODAS as suas músicas desta fase, em seu programa Todo Seu, na TV Gazeta de São Paulo, Ronnie Von fez na última sexta-feira, 17, uma histórica apresentação na televisão. Foram tocadas “Máquina Voadora” e “Espelhos Quebrados”, esta última, a favorita de titio Ronnie, que ele considera a sua “Eleonor Rigby”.  Vale lembra que as músicas desta época, gravadas por Ronnie Von, NUNCA foram executadas ao vivo na TV aberta, em horário nobre.

De fato, os discos psicodélicos de Ronnie Von estão virando influência e referência na música brasileira. A redescoberta destes discos, culminaram em dois produtos interessantes. O primeiro o livro Ronnie Von – O príncipe que podia ser rei e logo depois, o documentário Ronnie Von – Quando Éramos Príncipes, que passou pelo canal BIS no final de 2014.

Confira aqui no Mundo47 a apresentação de Ronnie Von no seu programa da TV Gazeta e também na íntegra o documentário Quando Éramos Príncipes.

Paul McCartney retorna para mais uma turnê brasileira

 

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Ele ficou 17 anos sem aparecer por aqui, mas desde 2010, Sir Paul McCartney, o eterno beatle, retorna ao país para um giro pelas capitais nacionais.

Depois de shows em cidades antes não imagináveis para uma parada de um rock star de seu porte, como Florianópolis, Goiânia, Fortaleza, sir Paul estará abrindo sua turnê brasileira em “Cariacica”, município da grande Vitória, no Espirito Santo. O show acontecerá no dia 10 de novembro no estádio da cidade. Confirmado hoje, o show do dia 12, no HSBC Arena, no Rio de Janeiro. Depois uma pausa e 10 dias depois, no dia 23 de novembro, no estádio Mané Garrincha, é a vez de Brasília. A turnê vai encerrar nos dias 25 e 26 no estádio Allianz Parque, estádio do Palmeiras, em São Paulo.

A primeira turnê de Paul McCartney no Brasil quebrou todos os recordes de bilheteria da época e entrou para o Guinness – Livro dos Recordes como a maior audiência de um concerto em estádio. Mais de 184 mil pessoas compareceram ao show no Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, em 1990.

Paul McCartney já se apresentou no Brasil 15 vezes, desde os anos 90. Essa será a primeira visita do artista a Vitória e Brasília. Em São Paulo, onde se apresentou em 2010, o show acontece no recém-inaugurado Allianz Parque.

Imperdível!

Os ingressos já estão à venda no site da Tudus.

 

Para relembrar, vamos com vídeos que fiz da passagem de Paul McCartney por Florianópolis, em 2012.

Somaa e Sylverdale querem sua ajuda para um único CD

Somaa & Sylverdale - Todospor - Foto - Ricardo Borges-12_divulgação

O sistema de financiamento coletivo de artistas está cada vez mais em alta. Por aqui não é diferente, Mundo47 vai divulgar nas próximas postagens sobre as bandas catarinas que querem um help seu. Vale a pena ajudar e fomentar o rock produzido em nossas terras.

De Joinville, as bandas Somaa e Sylverdale estarão em um único CD/Split. Embora tenham trilhado percursos distintos, algumas coincidências cruzam o caminho das duas bandas joinvilenses. Ambas lançaram somente álbuns no formato EP, são adeptas de uma sonoridade pesada, torta e embalada por melodias, e tem no rock alternativo dos anos noventa e dois mil suas principais referências.

A campanha vai até 04 de setembro, portanto se você pode e quer ajudar, tem que correr. Enquanto preparam material para seus discos de estreia, o combo “Sylveromaa” decidiu lançar um Cd/split com músicas inéditas. Além disso, cada banda gravou uma canção da outra: o Sylverdale deu a sua interpretação para “Três”, do Somaa, enquanto o Somaa rearranjou à sua maneira “Go Ahead”, do Sylverdale. O disco contará com 10 faixas no formato Digipack, com arte de Rodrigo Falk Brum e fotografia de Ricardo Borges.

O formato Cd/Split

Em tempos em que a demanda por álbuns físicos dificilmente viabiliza a produção deste tipo de produto, a estratégia de dividir (“split”, em inglês) os custos e também o espaço no disquinho metálico parece ser uma saída viável para a insistente e guerreira cena independente brasileira.

O formato é muito comum fora do Brasil, em especial, entre bandas do cenário punk rock/hardcore. Na história da música da cidade, as bandas H2O e Atrito, em 1989, adotaram o formato lançando um LP em parceria.  Passados 25 anos, não se tem notícia de outras bandas locais que tenham aderido ao registro.

Apoio ao projeto

Com cotas que variam de R$ 20,00 a R$ 100,00, é possível contribuir para a realização deste projeto, associando e imprimindo (literalmente) seu nome à conquista deste propósito artístico. Os pagamentos são feitos por meio do Pag Seguro, ferramenta conhecida pela sua segurança e estabilidade.

O site e parceiro escolhido é o catarinense TODOS POR, conhecido pela realização de outros projetos de crowd funding, como o show do músico Stephen Malkmus e o Cd da banda ilhoa Os Skrotes. As recompensas variam entre o Cd, Cd + camiseta e Cd + camiseta + chaveiro, descanso de copo e downloads.  Todos os apoiadores terão seus nomes impressos nos Cds.

 

Links:

www.todospor.art.br/eventos/cdsplit

www.facebook.com/somaarock

www.facebook.com/sylverdale

 

Todo nosso: biografia conta história de Ronnie Von

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Ronnie Von – O príncipe que podia ser rei, de Antonio Guerreiro e Luiz Cesar Pimentel será lançado hoje em São Paulo pela Editora Planeta. Segundo os autores, o livro é uma obra escrita com total liberdade, sem nenhuma interferência do biografado, o que de fato mostra maturidade e o espírito de Ronnie, que afirmou em entrevistas recentes, que se ele escolheu esse caminho de ser uma pessoa pública, deve aguentar as consequências.

Em 17 de julho de 1944 nasceu Ronaldo Lindenberg Von Schilgen Cintra Nogueira, mais tarde nasdeu o Ronnie Von, a contra proposta da Jovem Guarda, o príncipe que soube respeitar a majestade em questão, mas que paralelamente escreveu capítulos importantes da música jovem brasileira na segunda metade dos anos 1960. Sua vida se transformou quando, por acaso, foi descoberto como cantor, rompeu com o pai e se tornou um ícone daquela época. Sua carreira como cantor começou por acaso no bar “O Beco das Garrafas”, no auge da Jovem Guarda. Ganhou vários fãs e corações, mesmo nunca tendo participado do programa apresentado por Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléia.

Ronnie Von tem momentos distintos de sucessos e dramas. Amigo de estrelas como Rita Lee – foi ele quem batizou a banda de Mutantes –, o moço da alta sociedade carioca, usou toda sua inteligência para criar hits psicodélicos (hoje um fenômeno cult no Brasil e na Europa) e românticos. Lutou com uma doença que poucos no mundo sobreviveram. Casou diversas vezes, entre seus amores estão a atriz Bia Seidl e uma que ele NUNCA pronuncia o nome e quer riscar do mapa.

De modo independente e inesperado, foi acumulando sucessos como “Meu bem”, uma versão em português do próprio Ronnie Von para a música “Girl”, dos Beatles. A primeira gravação foi um fenômeno, e Hebe Camargo lhe deu o apelido pelo qual é conhecido até hoje: Príncipe. Em 1966, Ronnie entrou para a televisão no comando do programa “O Pequeno Mundo de Ronnie Von”, onde lançou artistas importantes. Atualmente é apresentador da TV Gazeta, na qual comanda o programa diário “Todo Seu”.

Atualmente Ronnie Von apresenta o programa Todo Seu na TV Gazeta.

Atualmente Ronnie Von apresenta o programa Todo Seu na TV Gazeta.

 

Os Autores

Antonio Guerreiro é jornalista, diretor geral de novas mídias na Rede Record e diretor geral do portal R7.com. Foi repórter e apresentador nas TVs Gazeta,Bandeirantes, SBT, diretor do portal Vírgula e CEO da Container Digital, incubadora de novas plataformas. Foi editor chefe da Gazeta Esportiva e diretor das rádios Gazeta AM e FM e apresentador da Jovem Pan. Palestrante internacional na área de inovação e empreendedorismo, também foi professor no curso de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero.

 

Luiz Cesar Pimentel é jornalista e diretor de conteúdo do portal R7. É autor dos livros Sem pauta: reportagens, histórias e fotos de um jornalista pelo mundo (Seoman, 2005) e Você tem que ouvir isso! (Pensamento, 2011). Trabalhou na Folha de S. Paulo, Editora Abril, revista Trip, nos portais Starmedia, Zip.net, UOL eVírgula. Também é colaborador das revistas Caros Amigos, Carta Capital, Playboy, Rolling Stone, Sexy, Elle e Superinteressante.

Serviço

Ronnie Von- O príncipe que podia ser rei

Antonio Guerreiro e Luiz Cesar Pimentel

Editora Planeta

ISBN: 978-85-422-0388-2

Não-Ficção / brochura / 16×23 / 192 páginas

R$ 34,90

Ronnie Von 70 anos

Ronnie Von, apresentador do programa Todo Seu, da TV Gazeta. Fev/2009

Os 70 anos do pai do psicodelismo nacional

Ronaldo Lindenberg Von Schilgen Cintra Nogueira era um típico adolescente de classe média quando em meados dos anos 1960 decidiu afrontar os pais e virar músico. Os Beatles eram motores de uma revolução que atravessava o mundo e que mesmo num país mergulhado numa ditadura, influenciaram gente como Ronaldo LVSCN a ousar. Nascia um dos artistas mais promissores e vanguardistas da música brasileira. Ronnie Von teve seu apogeu a partir de 1968, quando com liberdade artística, pôde colocar para fora sua ousadia e sagacidade em revelar a um público acostumado a canções de amor jovemguardianas, de que a música pop poderia ir muito mais além de versinhos sobre namoradinhas, brotos e carrões.

A alegria letárgica durou até 1970, numa trilogia de álbuns que só 30 anos depois tiveram o verdadeiro reconhecimento a partir das gerações mais novas. Nos anos 1970 Ronnie comeu o pão que o galã amassou. Foi forçado novamente a voltar a ser o eterno romântico e aquele cara que sua vó desejaria para sua mãe. Ainda nos anos 1970 o cantor sofreu com uma doença que o deixou em cadeira de rodas, sendo que a partir de 1981 ele foi se reerguendo aos poucos e ganhando novamente o coração de seus fãs. Ronnie Von nunca mais foi o mesmo daqueles anos lisérgicos, mas seu legado musical, em conjunto com músicos como o maestro Damiano Cozella, o compositor e produtor Arnaldo Sacomani e outros feras que emprestaram seus talentos como instrumentistas para tornar as obras do cantor cada vez mais importantes para o legado musical do país.

Hoje Ronaldo está completando 70 anos.  O pequeno príncipe plebeu que deveria estar reinando por completo. Parabéns Ronnie Von!

 

Marcos Espíndola e o legado deixado pela Contracapa

Marquinhos (E) e Rafael Weiss na fila do show do Paul em POA.

Marquinhos (E) e Rafael Weiss na fila do show do Paul em POA.

 

Uma notícia tomou meus olhos de assalto no final da tarde de ontem. Marcos Espíndola, chefe mor e líder da Contracapa do Diário Catarinense está se despedindo da coluna, do Diário Catarinense e do Grupo RBS. Em primeiro olhar a notícia choca, pois como disse depois no Facebook outro guru, Fábio Bianchini, o jornalismo cultural em Santa Catarina tem dois momentos. Antes e depois da Contracapa do Diário Catarinense.  Foram oito anos no comando da coluna cultural mais lida de Santa Catarina. A mais acessada na web, a que vinha com mais novidades, a que vinha com forte opinião, a que vinha com a paixão de Marquinhos pela música, cinema, teatro, enfim, a cultura catarinense no seu centro nervoso central.

Marquinhos Espíndola além de ser um amigo e parceiro, foi fonte de informação, foi fonte de inspiração e eu tive o prazer de durante esses oito anos, colaborar esporadicamente na coluna do DC, seja como fonte de informações ou seja como colaborador nas famosas listinhas dos melhores do ano. A saída de Marcos Espíndola do Diário Catarinense fecha um ciclo de ouro no Caderno de Variedades do jornal que já contou com o grande Dorva Rezende, na chefia, Fábio Bianchini e Renê Müller, profissionais que sabe-se lá o porquê, o Grupo RBS deixou escapar como se escapa lambari em pescaria nas lagoas do Perimbó. Hoje o legado Contracapa será tocado lá no Norte de Santa Catarina, por Rubens Herbst de A Notícia e pelo Vinícius no Santa, mas o ciclo se fecha, uma página se vira e o jeito é seguir.

Que Marcos Espíndola saiba que o trabalho deixado por ele na Contracapa do Diário Catarinense é imenso.  Foi a partir da Contracapa que muitas bandas surgiram no cenário catarinense. Foi na Contracapa que muitas festas puderam ser divulgadas, debatidas e aproveitadas pelo grande público ávido por novidades rock nas cidades catarinenses. Foi também a partir das festas da Contra, que a única reunião dos Pistoleiros ocorreu nos últimos 12 anos, em 2008, numa grande festa na Célula Cultural.  Foi na Contracapa e consequentemente em participações suas tanto na TV como no Rádio, que a produção cultural de Santa Catarina sofreu um sacode, uma nova forma de visão. Marcos Espíndola e seu trabalho no Grupo RBS foi exemplar. Vamos sentir falta de todo dia que chega o jornal e ir direto para Contracapa, antes de ler todo o jornal. Valeu Marquinhos, valeu a parceria. O Mundo47 e seus leitores desejam muita paz, muito sucesso e amor na próxima jornada que a gente sabe, vem por aí.

 

 

 

Strokes confirmado no Festival El Mapa de Todos

Os Skrotes, de Florianópolis

Os Skrotes, de Florianópolis

A primeira e por enquanto única atração catarinense na 5ª edição do Festival El Mapa de Todos, que será realizado em Porto Alegre em novembro, é a banda The Skrotes, de Florianópolis. A novidade foi postada no site Underfloripa na noite de ontem, pelo jornalista Luciano Vitor. É a primeira vez que uma banda do estado tocará neste festival, que integra de uma forma íntegra, o melhor da música produzida na América Latina.

O festival criado e idealizado pelo jornalista e editor do site SenhorF, Fernando Rosa, percorre a América Latina pesquisando e apresentando novas perspectivas da música produzida no continente americano. E o melhor, não é um festival veiculado ao famigerado e na minha opinião destruidor da cena independente, a turma do Fora do Eixo.

Vida longa ao El Mapa de Todos!

Veja os artistas já confirmados no El Mapa de Todos

 

 

Gazú fala sobre críticas e sobre o novo álbum do Dazaranha

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Gazu não concorda com posicionamento da banda sobre crítica.

 

O assunto da semana é a crítica ao álbum Daza, último lançamento da banda Dazaranha, de Florianópolis, publicada nesta semana pelo blog Rifferama, do colega e parceiro de RIC Mais, Daniel Silva. A crítica em si não trabalha de uma forma desrespeitosa a banda que tem mais de 20 anos de história no estado, mas faz um alerta para os músicos e artistas catarinenses que há o que se renovar numa carreira tão longínqua como a que eles tem. Daniel relata principalmente é que o disco não tem canções inéditas, mas sim regravações de trabalhos solo dos integrantes da banda e faz pensar um pouco também sobre alguma crise criativa desses músicos que já estão há  vários anos agitando as coisas por Santa Catarina.

Mundo47 entrou em contato com o vocalista da banda, o frontman que tem na sua voz, a principal identidade do Dazaranha nesses últimos 20 anos. O nome dele é Sandro Costa, mais conhecido como Gazú. Por telefone conversamos sobre toda essa polêmica da crítica do último disco, falamos sobre possíveis erros no passado e um pouco sobre o trabalho solo de Gazu, que em breve lançará um DVD gravado em Brusque.

 

 

Confira!

 

Mundo47: Gazú, o que você achou da crítica feita pelo Daniel Silva, do blog Rifferama sobre o disco Daza, recém lançado pelo Dazaranha?

Gazu:  Eu achei que foi dito verdade ali, de uma forma coerente. Houve elogios, vi que ele engrandeceu bastante a banda. Vi nele um grande fã do Dazaranha, alguém que gosta muito da banda, não alguém que estava esperando uma oportunidade para malhar, e achei super legal cara, seria bom para a banda se houvesse críticas como essa em todos os meios impressos de Santa Catarina e do Brasil.  A gente sentiria grandioso se tivéssemos criticas como esta.  Achei ela (a crítica) superpositiva e senti a carência, não só do nosso publico, mas de Santa Catarina em geral, por novos trabalhos. Vi que não só o Daniel, mas como o público de uma forma geral, quer mais do Dazaranha e isso foi uma forma positiva. Críticas como a dele é uma carência que estava precisando, a gente deve se sentir feliz porque as pessoas querem mais

 

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Mundo47: O que você achou da repercussão sobre a crítica do disco e posicionamento oficial da banda sobre a crítica que o Daniel fez no seu blog, incluindo a assessoria de imprensa do Dazaranha que também tentou “mudar” a opinião do jornalista?

 

Gazu:   Não foi legal da parte do Dazaranha em responder e eu não fui consultado, até porque eu me desliguei da administração  do Dazaranha.  Como eu não estou na administração eu assino embaixo até os erros, mas particularmente, eu acho que deveríamos aceitar isso como uma coisa positiva, não negativa, mas a grande maioria das pessoas está achando positivo o CD, até porquê você não vai agradar todo mundo. Não podemos fazer um CD raiz como o primeiro, a gente tem nossa particularidade com as letras, o violino, o sotaque do vocalista, essa característica está presente na vida do Dazaranha e o publico está gostando. Eu particularmente acredito numa qualidade muito legal neste CD, mas eu acho que o Dazaranha não tinha que se pronunciar em relação a isso. Acho que Santa Catarina é um estado onde a gente está amadurecendo em todos os aspectos. As bandas estão amadurecendo, a gente também amadureceu sozinho desde o começo da banda, as empresas de som estão mais profissionais, a gente participou do crescimento  delas,  as casas de show estão se profissionalizando, melhorando as condições de trabalho para os músicos, essa profissionalização estamos desenvolvendo em Santa Catarina.  A critica em SC é uma coisa que  a gente está  aprendendo a ter. Veja você, me ligando  para saber de mim, isso diz que isso que a gente tem importância, é porque eu tenho algo a dizer, que o Dazaranha tem importância pra dizer, e se o Daniel fez no blog dele, é porque o Dazaranha tem conteúdo, isso eu acho que já se basta. A banda tem que ficar feliz, pois  ele estudou o CD, a história do Dazaranha, isso pra mim basta. Agora, em relação ao Chico (Chico Martins, guitarrista), a opinião dele não é opinião do Dazaranha. Ele tem direito de se defender, como ele também vai enfrentar as criticas com o que ele fala, como eu, o que eu falo também vou ter que me defender sobre o que eu falo. Embora eu não concorde com a resposta, eu assino embaixo.

 

 

Mundo47: E como esta crítica teve uma grande repercussão nas redes sociais, eu queria saber a opinião sua sobre o disco, como você avalia esse trabalho?

 

 

Gazu:  É uma batalha para gravar um CD, mas o publico não quer saber o que está acontecendo nos bastidores, quer saber do espetáculo, se ele acontece bem. O público não quer saber se é difícil montar o palco, luz, se alguma coisa não tá funcionando bem, o publico quer saber se o show tá bom. Nosso trabalho é estar organizado. Mas falando desses bastidores, para você que tem um conhecimento maior,  esse CD eu idealizei ele e corri atrás para que ele acontecesse. Na época eu era administrador do Dazaranha.  Eu escolhi o produtor, o Carlos Trilha,  uma escolha minha e aceita pela banda. Escolhi o estudio R3, que é um dos melhores estúdios do Brasil. Eu corri atrás de recursos, claro com a participação do escritório do Dazaranha, junto com o Adauto (baixista da banda) , estava do meu lado realizando essa empreitada. A gente tem a nossa dificuldade para fazer o melhor, a gente poderia pegar um estúdio mais barato, mas optamos pela qualidade, tanto na gravação quanto na produção. Em relação a parte artística a coisa é democrática. Eu não influenciei nada, ali foi escolhido o repertório democraticamente, não só pelos músicos, mas pelo pessoal da técnica, produção. A gente tinha até muitas músicas, mas cada música custa um preço alto para fazer.  Seria  bom ter um CD com mais musicas, eu também queria, mas envolve uma questão de orçamento, mas o público não quer saber disso. O Daza foi feito de uma forma independente. Os arranjos são idealizados por cada um, em seu instrumento, cada um trabalha sua parte, claro que há alguns ajustes, mas cada um faz a sua parte. O Carlos Trilha pegou as músicas prontas. Ele gravou, mixou, na gravação mexeu um pouco lá, um pouco aqui, adicionou ou excluiu a participação de algum instrumento, ele também colocou teclados em várias músicas, pois ele é um excelente tecladista, foi um disco que demorou bastante para sair. Gravamos em etapas, numa vez foram três músicas, depois mais três e depois o restante do disco, mas saímos com 11 canções. A gente havia feito o box comemorativo de 20 anos da banda, aí a gente meio que armou uma distribuição independente, junto como divulgador Chicão e ele junto com a banda, montou essa distribuidora independente, através disso estamos distribuindo o disco.

 

Mundo47: no final dos anos 1990 a banda fez parte do cast da Atração Fonográfica, gravadora nacional que lançou Tribo da Lua, com o hit Vagabundo Confesso. Todo mundo achou que vocês virariam um sucesso nacional, apesar de breve, esse sucesso teve fim. O que faltou para o Dazaranha estourar no resto do país?

 

Gazu: na época que a gente que fez parte da Atração, ainda rolava o universo das gravadoras em bancar o CD. Uma grande gravadora era o único caminho para um artista botar o disco na rua, a gravadora era tudo (gravação, distribuição, divulgação)  num lugar só. Nessa época a Atração era uma gravadora pequena, mas trabalhava mais sertanejo, caipira do interior de SP,  moda de viola, aquele som Almir Sater, do Mato Grosso do Sul, coisa desse gênero, e o Dazaranha era uma banda “pop reggae rock”, um produto meio fora do que ele estavam acostumados a trabalhar, mas eles gostaram do Dazaranha, mas a gente fez uma parceria, sabíamos que tinham gravadoras mais importantes, que poderiam trabalhar com mais facilidade, mas de repente a gente não escolheu bem a gravadora, que poderia trabalhar um produto como o nosso. Por outro lado, se fores analisar, foi feito um grande trabalho como Dazaranha. Fomos Top50 em vendagens no Brasil por três vezes, isso não é uma marca histórica não só pelo Brasil, mas para Santa Catarina. Recebemos informações que nosso disco foi comprado no Brasil inteiro, tocamos em São Paulo com casa cheia, a música Vagabundo Confesso foi regravada várias vezes, usados em diversos comerciais, inclusive pelo Guga. Se for analisar, fizemos um grande trabalho, com o Tribo da Lua, Vagabundo Confesso, fomos bem reconhecidos, vários programas de TV a gente fez, foi ótimo esse trabalho, foi grandioso, faltou dar sequencia, mantido, evoluído, mas foi um trabalho bom, hoje tu não consegue mais, as gravadoras pegam um produto pronto, elas basicamente divulgam, e muitas vezes até a distribuição.

 

 

Mundo47: Em mais de 20 anos é difícil ficar no casamento apenas com uma banda, você tem o desejo de tocar mais, com outras pessoas também. Você fez isso nos últimos anos. Como é esse seu trabalho solo?

 

Gazu:  Eu já estou uns três anos fazendo meu projeto. Depois de 20 anos a gente acha umas brechas, onde ficamos com tempo ocioso e aí comecei a fazer apresentações solo. Com isso eu mantenho meu nome na boca da galera e de lambuja mantenho o nome do Dazaranha, todo mundo ganha com isso. Uns dois anos atrás, eu gravei um CD com inéditas, só uma regravação de um amigo meu, esse CD deu origem a um DVD, onde gravei em Brusque. Teve a participação do Armandinho e do Teco Padaratz, e mais outras figuras, foi um disco basicamente gravado em cima do meu CD, onde o Armandinho deu uma musica dele, Desenho de Deus e gravou comigo. Já tem um clipe rolando no YouTube, onde tem eu e o Armandinho cantando Desenho de Deus. Esta semana estou concluindo a finalização do DVD. Estou armando com uma gravadora, mas não é nada certo, nem vou te falar, pode não acontecer, mas eu vou botar meu boi na rua. Para este projeto solo eu formei uma banda com grandes músicos, é uma grande oportunidade de eles trabalharem comigo, onde tem uma exposição, eu estou bem satisfeito em tá com essa superbanda, isso oxigena meu trabalho como musico em estar somente com o Dazaranha, eu consigo fazer algo diferente, não preciso tá mexendo com as coisas do Daza em estar levando conflitos à frente, com meu projeto paralelo eu consigo fazer minhas coisas também, estou bem feliz com isso.

 

Os Autoramas dominam a Europa

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Os Autoramas dominam a Europa!

Do final de maio até o início de agosto a banda brasileira independente mais trabalhadora estará fazendo um verdadeiro giro europeu. Gabriel, Bacalhau e a Flavinha destilam seus clássicos atrás de clássicos no velho mundo. O último disco, Música Crocante, que teve as fotos do álbum tiradas no show em Balneário Camboriú, é com certeza um dos melhores da banda. Esperamos no segundo semestre essa rapeize de volta!

Confira os shows (se você estiver por essas cidades nestas datas, não perca!)

29/5 – Paris, France – Le Divan du Monde
30/5 – Bourges, France – Festival Cosmic Trip
31/5 – Bilbao, Spain – Kafe Antzokia + Bullet Proof Lovers
01/6 – Almansa, Spain – Codigo de Barras
02/6 – Benidorm, Spain – Rockstar
03/6 – Valencia, Spain – 16 Toneladas
04/6 – Zaragoza, Spain – La Lata de Bombillas
05/6 – Madrid, Spain – Gruta 77
06/6 – Vitoria, Spain – HellDorado
07/6 – Lanzarote, Canary Islands, Spain – Festival Sonidos Liquidos
08/6 – Sopelana, Spain – La Triangu
09/6 – Ourense, Spain – Cafe Auriense
10/6 – Vigo, Spain – La Iguana
11/6 – Coruña, Spain – Casa Tomada
12/6 – Coimbra, Portugal – Salão Brasil
13/6 – Rio Maior, Portugal – Maiorais
14/6 – Lisboa, Portugal – Aniversário da Groovie Records – Sabotage
15/6 – Leon, Spain – Gran Cafe
16/6 – Aretxabaleta, Spain – Haizea
17/6 – Le Mans, França – Les Subsistances
18/6 – Ciboure, France – La Factory
20/6 – San Sebastian, Spain – Le Bukowski + Small Jackets
21/6 – Bordeaux, France – Fête de la Musique
25/6 – Kassel, Germany – Raum für Urbane Experimente – 8PM
25/6 – Kassel, Germany – H*** – 10 PM
26/6 – Basel, Switzerland – Hirscheneck
28/6 – London, UK – Weirdsville
04/7 – Terneuzen, Holand – Den Engel
09/7 – Mariehanm, Aland Islands – Dino´s
10/7 – Helsinki, Finland – Loose
11/7 – Forssa, Finland – Hukka
12/7 – Turenki, Finland – Suviranta
13/7 – Vesilahti, Finland – Tikankolo
21/7 – Perpignan, France – Ubu
22/7 – Sète, France – La Praia
25/7 – Torino, Italia + Agent Orange TBC
30/7 – La Spezia, Italia + The Dictators
01/8 – Bern, Switzerland – Dachstock
05/8 – Fürth, Germany – Kunstskeller
06/8 – Köln, Germany – Sonic Ballroom
07/8 – Hamburg, Germany – MS Hedi
08/8 – Berlin, Germany – White Trash
09/8 – Aalborg, Denmark – Love In Vaarst

 

 

Second Blues de Marzio Lenzi será lançado em Bombinhas no sábado

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Marzio Lenzi lançará seu excelente disco Second Blues neste sábado, em Bombinhas, no Magic Bus num show carregado do bom e excelente blues lageano, produzido nos vastos campos de pinhão. O frio é convidativo para um vinho e este som bacana rangendo das guitarras de Marzio.

Checa o cartaz aí e se liga nessa

 

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Primeiro disco dos Raimundos completa 20 anos

 

Antes de Jesus: Rodolfo, Fred, Canisso e Digão apavoraram a piazada.

Antes de Jesus: Rodolfo, Fred, Canisso e Digão apavoraram a piazada.

 

Era maio de 1994. Ayrton Senna tinha recém partido, o Brasil entrava na Copa do Mundo dos Estados Unidos meio com 99,9% do povo reclamando da escalação do Parreira e no rock, muito pouco empolgava com certa relevância. O pop estava em crise, mas um disco começou a pipocar nas festinhas e no colégio. Na realidade em 1994/1995 dois discos eu descobri assim, o primeiro dos Raimundos e o primeiro dos Mamonas Assassinas. Com 14 anos, a gente queria ouvir rock, queria ouvir besteira, putaria, sacanagem. O primeiro disco dos Raimundos me soou assim. Muita putaria, muita sacanagem e um hard core porra lôca com sotaque nordestino. Mesmo sendo um rapaz latino americano do sul, a ideia foi ótima e não demorou muito para que os Raimundos fosse a coqueluche daquele ano. Nada de Legião Urbana, Skank, Cidade Negra, o pop rock que a piazada ouvia naqueles tempos era dos Raimundos.

Para um garoto, a primeira faixa, “Puteiro em João Pessoa”, abre o disco e mostra logo de cara mostrar para que veio. O som é pesado, a letra é para lá de sarcástica, safada e sem vergonha e segundo consta, a história de Dudu (o próprio Rodolfo, vocalista da banda) e seus primos mais velhos, Augusto e Bessenger levam o então garoto Dudu para um puteiro, descobrir que a vida é boa, a sua primeira vez. O disco segue o ritmo e a sacanagem, o peso foi fundamental. Em Santa Catarina os Raimundos fizeram algumas aparições naquele ano. A mais antológica foi em novembro, quando abriram para os Ramones na Santur. Um show incrível, que pouca gente acredita que aconteceu.

Nos discos posteriores os Raimundos foram absorvidos pela grande mídia. As turnês ficaram maiores, o cachê ficou enorme e a banda começou a inclusive ficar chata, porquê estava em tudo. Desde programas de televisão a qualquer festival. Lá estavam os Raimundos. Quando Rodolfo, vocalista da banda, anunciou sua saída pois havia se convertido para uma denominação evangélica, muitos pensaram que a banda iria parar. Ledo engano, o Raimundos tentou um pouco com um novo vocalista, mas o próximo a deixar o grupo foi o baterista Fred. Digão e Canisso seguiram, tocaram onde pagam o pão que o diabo amassou. A redenção veio em 2014 mesmo, com o lançamento do último trabalho. O Raimundos tem já 20 anos, mas nunca desiste. Os fãs agradecem.