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20 anos dos Ramones em Balneário Camboriú

 

Histórico! Ramones em SC - Foto Júlio Cavalheiro
Histórico! Ramones em SC 1994 – Foto Júlio Cavalheiro

O lendário show dos Ramones no parque da Santur em Balneário Camboriú completa hoje 20 anos. No dia 11 de novembro de 1994, os Ramones fizeram sua única e histórica apresentação em Santa Catarina ao lado do Sepultura (em grande fase) e dos Raimundos (que há pouco tinham lançado o primeiro álbum). O show aconteceu numa sexta-feira e movimentou gente de todo canto do estado, que organizaram vans e ônibus para testemunhar a épica aparição de Joey, Johnny, CJ e Marky na “praia mais badalada do sul do mundo”.

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Ingresso do Wanderson Verch, ainda com o canhoto.

O dia foi bastante estranho. As pessoas não acreditavam que se dirigiam para um lugar como a Santur para ver os Ramones. Filas, calor e aquela porta de vidro que virou pedacinhos, apesar do “caos” a turnê Acid Chaos passou por diversas cidades brasileiras, mas aqui a coisa tomou pela lenda, pois tu fala para alguém que os Ramones se apresentaram em Balneário Camboriú e pouca gente acredita.  O sentimento como adolescente que foi no show meio que ao acaso (aproveitei carona para a praia e pimba, vi os Ramones com a turma do prédio) foi única. Era um fã de Ramones desde mais moleque, e ver que eles existiam de verdade foi um sonho… realizado. Difícil esquecer tudo.

Mundo47 foi atrás de algumas personalidades locais que estiveram no show. Pedimos para que dessem um depoimento falando da experiência em participar do show histórico.

 

Bola Teixeira, jornalista, blogueiro, fotógrafo

BOLA

“Cheguei a tarde na Santur e a fila virava quarteirão, no caso, pavilhão. Os portões – de vidro – ainda fechados. Sai fotografando tudo que via pela frente. Lembro de uma menina ensandecida na fila que fotografei. O tempo passou, milhares de pessoas na fila e nada de abrir a porta, até que o povo resolve abrir na marra. Vidro estilhaçados e invasão generalizada do pavilhão sob os olhares de reprovação do diretor da Santur Alvaro Silva. Fui direto para os camarins. Conversei com os caras do Raimundos e cumprimentei meus ídolos Ramones, mas estava tudo muito corrido e fui para o chiqueirinho. A altura – baixa – do palco permitiu que fizesse muitas fotos, verdadeiros portraits de meus ídolos.

Joey Ramone - por Bola Teixeira

Joey Ramone – por Bola Teixeira

 

Na verdade não dei muita bola pra Raimundos. Queria mesmo era fotografar e acompanhar o setlist dos Ramones. No meio da muvuca vejo aquela mesma menina que fotografei lá fora já em fim de linha sendo carregada para fora do pavilhão desmaiada. Entra o Sepultura. O povo enlouquecido demais, vazei do chiqueiro e acompanhei lá detrás do pavilhão. Foi tudo muito inesquecível, se é que você me entende”

Marcos Espíndola, jornalista/empresário

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“Eu não sei se você esteve lá, mas também não te recrimino se você achar que eu também não estive. Mas todos sabemos o tamanho da nossa fé. Explico: a saga dos Ramones começou antes. Do boato sobre a possível vinda dos caras para Balneário Camboriú, que se alastrou numa torrente de incredulidade. “Em Balneário? Nem f******!”, era o que mais se ouvia. E justificável, veja, naquela época mal entrávamos no Windows e a internet era algo impensável para esses cantos de cá do Atlântico. Fato é que a história esquentou, ferveu e fez o tempo fechar na cidade.  Na época eu estagiava em um jornal da cidade e lembro de aproveitar a deixa para correr hotéis a procura da camarilha punk, aqueles heróis da juventude. Até que do algo do Geranium (é esse o Hotel), deu para ver algumas cabeças cabeludas e de óculos escuros. Bom, vai ter show. E foi “O” Show.  Foi o congraçamento de uma vida, um rito de passagem tardio para milhares de marmanjos que ali sacramentaram o fim da adolescência. Perdemos a inocência e quase tudo passou a ser possível. Tenho comigo que muitos até hoje juram que foram para não passar vergonha por não ter levado fé. Tenho a impressão de que se todos aqueles que garantem que estiveram presentes no show realmente estavam lá, teria que haver dois daqueles complexos da Santur.
Eu não os recrimino por mentirem. Até eu custo a acreditar ainda hoje eles estivavam ali na minha frente”
Klaus Peeter Loos, Empresário/Sumidade do Metal
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“11/11/94, quem diria, já se passaram 20 anos daquela sexta-feira maluca, em que pouca gente acreditava e hoje ainda duvida. Ramones e Sepultura juntos em Balneário, Camboriú, na Santur,  com abertura dos então iniciantes Raimundos, seria possível? Sim, cheguei lá cerca de 3 horas antes do show, uma confusão danada na entrada, muita gente concentrada derrubou os portões de acesso, loucura. Já lá dentro, o palco ao fundo, muito aglomero, gente escalando as paredes laterais, surreal. Raimundos deu seu recado, e então os mágicos Ramones fizeram um show digno da sua aura mística, deixando todos hipnotizados, com a sequência de 1,2,3,4…pau!! Lembro bem de I just want to have something to do, Pet Sematary, I Belive in Miracles , Pshycho Terapy e tantas outras, tocadas na velocidade da luz, com Joey Ramone dando um banho de carisma. Por fim, Sepultura do Brasil, na turnê do Chaos A.D. cuspindo fogo, literalmente derrubando o teto do local, êxtase total, veio, viu e venceu, mostrando ser a melhor banda brasileira de todos tempos, coisa que nunca ninguém vai tirar deles. Como fã, digo que foi mais quente que o inferno. War for Territory!!! Foi um sonho? Talvez, mas no final saímos felizes e suados dele, inesquecível!!”

Wanderson Verch, jornalista, baterista Syn TZ, mito
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“O dia 11 de Novembro de 1994 é inesquecível por si só em minha mente, em meu coração… Nessa data puder conferir, no auge de meus 15 anos de idade, a apresentação de duas das maiores bandas do mundo em Balneário Camboriú: Sepultura e Ramones. Tenho até hoje o ingresso, com canhoto, uma relíquia guardada a 7 chaves. Dos Ramones, lembro do impacto que me causou ver aquelas figuras americanas enjaquetadas, com suas músicas frenéticas, que não dava tempo pra respirar direito. Lembro também do mascote da banda com a plaquinha “Gabba Gabba Hey” agitando a galera, e é claro, dos anos pós-show, quando conto para os fãs que vi os Ramones, ao vivo, em Balneário Camboriú, e eles custam a acreditar.”

Ulysses Dutra, jornalista, guitarrista
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“Simplesmente um sonho de adolescência tornando-se realidade. Ramones tocando em Santa Catarina era algo impensável e que se materializou naquela noite mágica. Ganhei uma credencial através do amigo Emerson “Tomate” Gasperin e do Zeca, do Sincronia Total e pude ficar na fila do gargarejo pra assistir o quarteto mandar ver em todas aquelas músicas que eu tocava junto com os LPs no quarto de casa até rasgar o papel dos alto-falantes de um 3 em 1. Foi sensacional. Hey ho!”.
Ulysses com galera de Floripa.

Ulysses com galera de Floripa.

 

Celsinho Castellen, músico, empresário

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“Foi a coisa mais animal do mundo. Eu poguei um monte na primeira música, e o resto não me mexi pra não perder nada. Fiquei parado o show todo. E me arrependo até hoje que fui com uma camisa do Sepultura, cara, foi animal, difícil ter palavras para descrever, eu sabia todas as músicas de cor.  Quando o cara foi passar o som da guitarra, tinha um cara do meu lado berrando “tira a mão dessa guitarra q tu não merece”. E eu tava lá na frente na hora q estourou a porta, foi um show animal, nunca vou esquecer, tenho o ingresso ainda inteiro”.

 

Rodrigo Fachini, jornalista

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“Apesar da pouca idade, pouco mais de 16, e recém inserido no mundo do rock, a paixão pelo Ramones foi de  bate-pronto: ocorreu logo após ouvir as primeiras músicas, pelos anos de 91,92. Lembro como se fosse hoje, quando anunciaram os shows, Raimundos, Ramones e Sepultura em BC, a primeira reação foi dizer que era mentira ou que se tratava de um evento com bandas Cover. Depois de checar a veracidade, iniciou o processo de busca de ingresso e de como iria ao show. Aventuras à parte e sucesso na empreitada, os primeiros 20 minutos de show dos  Ramones foram de estagnação e a sensação inicial que não poderia ser verdade, foi a tônica. Show memorável e um dos últimos da da formação e que nunca sairão da minha memória.”

 

 

Os 50 anos da chegada dos Beatles na América

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No início de 1964, os Estados Unidos viviam uma catarse coletiva em razão de,  poucos meses antes, o presidente John F. Kennedy havia sido assassinado em Dallas. O momento era tenso e mundialmente, EUA e União Soviética se duelavam na Guerra Fria. Mas na Europa, especialmente no Reino Unido, quatro garotos de Liverpool, uma cidade feia e portuária, eram os verdadeiros reis da parada de música jovem. Uma banda, músicos que tocavam rock and roll, um ritmo importado da terra yankee, vendia milhões de cópias de seus compactos, EPs e álbuns. Na Europa a beatlemania era uma realidade.

Enquanto nos Estados Unidos, as paradas eram dominadas por artistas da Motown, girlgroups, o rock and roll estava um pouco morto. Elvis só fazia filmes nesta época e uma lacuna estava para ser preenchida, só faltava “o personagem”, ou “os personagens”. Com o estrondoso sucesso na Europa, a EMI foi ao longo do segundo semestre de 1963, tentando emplacar os discos dos Beatles no mercado americano. O maior empecilho, por incrível que pareça, era a Capitol Records, subsidiária  da EMI na América, não querer lanças os discos dos garotos no fechado mercado dos Estados Unidos. A solução da EMI foi buscar selos menores, como a Vee Jay, que lançou o primeiro disco dos Beatles ainda nesta época.

 

Então aos poucos a Capitol foi reconhecendo o potencial da banda, mas de forma forçada, começou a lançar os discos. Em poucas semanas a música dos fabfour começou a se difundir na América. A morte de Kennedy brecou um pouco os planos, já que havia a possibilidade dos quatro beatles irem até aos EUA antes do Natal, mas o clima não era propício e do outro lado do Atlântico, Brian Epstein e os próprios Beatles só desejavam ir até a América com um número um nas paradas. Em meados de janeiro, depois de uma apresentação em Paris, Brian Epstein foi avisar os rapazes que de fato, I Want a Hold Your Hand havia alcançado o topo da parada norte americana, os Beatles iniciavam uma ampla conquista mundial através da América.

As semanas que antecederam o desembarque dos Beatles nos Estados Unidos foram de grande expectativa e também uma grande jogada de marketing da gravadora. “Os Beatles estão chegando”, dizia um anúncio. O mercado foi inundado por diversos lançamentos. Até mesmo o disco que era vendido pelo selo Vee Jay, foi lançado meio que ilegalmente. Todo mundo quis faturar com os Beatles. A Capitol reservou uma grande quantia para fazer mídia em jornais, revistas, rádios e televisões e um acerto foi feito com o apresentador da CBS, Ed Sullivan, para que a primeira apresentação dos Beatles em território americano fosse ao vivo, de costa a costa, no Ed Sullivan Show. Tudo estava preparado para que numa fria manhã de 7 de fevereiro de 1964 a comitiva Beatle desembarcasse no recém rebatizado aeroporto John F. Kennedy, em Nova Iorque.

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Mais de 5 ou 7 mil jovens, a grande maioria adolescentes foram receber os rapazes no aeroporto, numa das maiores recepções de celebridades nos EUA desde a ida do Papa. A beatlemania na américa estava inaugurada. Gritos, alvoroço, correria, os rapazes tiveram uma recepção muito calorosa. A primeira coletiva foi realizada no aeroporto mesmo. Num espaço da PAN-AM, que trouxe a banda e sua comitiva até os Estados Unidos. A coletiva é uma peça de humor, com os Beatles respondendo diversas perguntas ridículas dos repórteres mau preparados da América. Do aeroporto até ao hotel, centenas de milhares de fãs gritavam nas ruas e debaixo do hotel, ruas tiveram que ser interrompidas para a chegada daqueles cabeludos.

O documentário First Us Visit, com imagens dos irmãos David e Albert Maysles, conta essa chegada e também toda a estadia dos Beatles na América com ricos detalhes. Os Maysles tiveram acesso fácil a banda, praticamente inaugurando a ideia de “reality show” com uma banda de rock. No documentário, é visível a alegria, a ansiedade e o objetivo dos Beatles em fincar sua música no novo mundo, como dar o troco naquele povo que saiu da Inglaterra séculos atrás para viver na América.

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No dia 9 de fevereiro de 1964, os Beatles foram as maiores atrações do The Ed Sullivan Show. Os ensaios foram um pouco prejudicados, pois George Harrison contraiu uma forte gripe, mas no dia 9 ele estava lá. Quando Sullivan falou: “ladies and gentleman, here they are! The Beatles”,  a TV americana registrou a maior audiência até então. Foram mais de 73 milhões de pessoas que assistiram ao programa naquele domingo, quando os Beatles tocaram ao vivo. Os fab fizeram o seu serviço e era visível a empolgação de Ed Sullivan, que certamente vibrava com os diversos contratos publicitários que havia fechado dada a chegada dos Beatles. Até mesmo o Colonel Tom Parker, empresário de Elvis Presley, o Rei do Rock, reconheceu a enorme importância da transmissão e enviou um telegrama de boas vindas, em nome dele e de Elvis.

Depois desta histórica apresentação, os Beatles viajaram de trem até Washington para o primeiro show para uma grande platéia. O Coliseum estava abarrotado de fãs e os Beatles foram forçados a tocar num palco que mais parecia um ringue de boxe. Uma chuva de jelly bellys (balinhas de goma), caiam sobre o palco durante os 28 minutos de apresentação (os Beatles haviam dito na imprensa que gostavam das balinhas). Com uma estrutura precária, o urro da platéia, o perigo de uma invasão ao palco era eminente, mas os rapazes, apesar de tudo, pareciam alheios a histeria grotesca naquele ginásio em 1964. Ringo Starr praticamente não se incomodou em rodar o praticável da bateria algumas vezes para agradar o público que rodeava o pequeno palco. Os Beatles ganhavam mais uma. Após a histeria, o frio intenso e a chatíssima viagem de trem até NY, os Beatles fizeram ainda um pequeno concerto no Carnegie Hall, o templo da música americana, impensável que artistas tão populares como eles pisariam naquele hall sagrado, mas eles foram.

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Depois de pegarem um avião até Miami, os Beatles saborearam a vitória num merecido descanso num grande hotel a beira mar. Ed Sullivan também transmitiu seu programa de lá, do salão do hotel mesmo, com mais uma apresentação dos fab, que aproveitaram ao máximo o sol e o mar. Andando de barco pelo Atlântico, mergulhando, aproveitando ao máximo. O retorno para a casa foi heróico. A mesma recepção americana os Beatles tiveram no aeroporto britânico, onde centenas de milhares de fãs se aglomeravam para recepcionar seus heróis. Os Beatles conquistavam não só a América, mas o mundo. O resto é mais história.

 

 

Concerto dos Beatles no telhado da Apple completa 45 anos

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Foi no meio de um dia frio de 30 de janeiro de 1969 que os Beatles foram até o telhado do número 3 de Savile Row, em Londres, sede da sua gravadora, a Apple Records, para realizar seu último encontro ao vivo para digamos, um grande público. Um mês antes, a banda havia se enfurnado dentro do estúdio para gravar o projeto Get Back, mais uma ideia de McCartney para tentar juntar os cacos que a banda teimava em deixar pelo caminho após a morte do empresário Brian Epstein, em 1967. Os Beatles  entravam e saiam de crises a cada novo trabalho e o White Album, de 1968, deixou muitas rusgas.

Em janeiro de 1969 a ideia era voltar as origens, gravar um álbum sem firulas, sem orquestrações de George Martin, um disco mais cru e com reencontro as velhas possibilidades. Tudo seria filmado e viraria um filme, mas o resultado se mostrou pior do que se esperava. Com Yoko a tiracolo, a banda passou um mês tocando horas e horas de novo e velho material e também brigando. McCartney tomava uma postura de comando, chegando em certa cena, a tentar ensinar George Harrison um riff, este fica totalmente irado com o disparate do colega. Sim, o fim estava eminente.

Em 30 de janeiro de 1969, na hora do almoço, a banda resolve fazer um show surpresa no telhado da gravadora. A ideia inicial, se não fossem as brigas, era fazer um show ou num teatro, ou ao ar livre num parque. Pensou-se até numa apresentação nas ruínas de Pompéia (que mais tarde o Pink Floyd realizou), mas de saco cheio uns dos outros, os quatro Beatles, mais a participação especial do tecladista Billy Preston,  foram para o telhado e fizeram uma apresentação que foi interrompida pela polícia londrina. Durante 42 minutos, vários curiosos se acotovelavam em janelas, subiam telhados de outros prédios ou se aglomeravam na rua. Na realidade, o show sem autorização, só foi interrompido mesmo pelo número de pessoas que paravam na rua. No repertório as novas canções que foram aproveitadas das gravações na Apple, como Get Back (que daria nome ao disco), Don´t Let Me Down, Dig a Pony, I´ve Got a Feeling, One After 909, God Save The Queen e um trecho de I Want You (She´s So Heavy).

Vale lembrar que o show no telhado não foi o último encontro musical dos Beatles. O projeto Get Back foi engavetado. Tudo que foi gravado em janeiro daquele ano foi entregue para um produtor ver o que dava para aproveitar e lançado em 1970, quando a banda estava se separando no álbum Let it Be. Antes, entre abril e julho de 1969, a banda voltou para Abbey Road, com produção de George Martin e gravou o icônico álbum Abbey Road, onde a solução para a capa estava na faixa de pedestres em frente ao estúdio, eternizando o local e o estúdio para o mundo da música pop.

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Mais uma informação é preciosa para este texto. A ideia de tocar num telhado, mesmo para os Beatles, percursores de muitas artimanhas do pop, não foi uma grande novidade. Em 1968, em Nova Iorque, a banda Jefferson Airplane subiu num prédio e também fez um pocket show. Era também um dia muito frio e o show também foi interrompido pelo trabalho da NYPD, mas foram os Beatles que deixaram milhares de pessoas, principalmente as que tem banda, em fazer concertos improvisados no telhado de edifícios. Bandas como U2, Red Hot Chilli Peppers e centenas de milhares de bandas cover de Beatles já subiram em algum prédio para fazer uma apresentação surpresa. Para os fãs dos Beatles, a data é importante e mais ainda, os mais colecionadores aguardam um lançamento oficial completo do show, já que a edição que foi para o filme Let it Be, o último da banda, contém apenas 22 minutos da apresentação total da banda. Confira!

 

Ronnie Von: documentário finalmente coroa o rei do rock brasileiro

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Durante décadas ele foi taxado como o príncipe. O plano B do pop, já que  a mídia havia eleito Roberto Carlos como o grande Rei. De fato, RC era mais popular, mas a inocência do rock da Jovem Guarda não era para aquele cantor “plano b”. Ronnie Von não tinha nada a perder e entre 1968 e 1970, gravou três álbuns de muita vanguarda, muita conexão do que estava acontecendo no mundo, de muita personalidade. O seu público, formado sempre por aquelas menininhas colegiais apaixonadas pela beleza do seu ídolo, do que pela sua arte, não entendeu que Ronnie estava virando a sua chave e os álbuns, inclusive, foram ignorados pela mídia especializada. Desiludido, Ronnie voltou a ser o galã, aquele cara romântico, sonho de qualquer garota jovem da época. Ronnie precisava tocar a vida e virou aquele cara que a sua mãe se derretia nos programas de final de semana de tarde.

Do meu lado, nunca houve uma admiração por Ronnie. A versão de “Girl” dos Beatles e A Praça, era tudo que eu conhecia. Até que um dia chegou em minhas mãos, dois CDRs com músicas de uns tais discos psicodélicos do principe. Paralelo a isso, lá pelo começo dos anos 2000, o jornalista Fernando Rosa, o Senhor F, havia publicado artigos sobre a “história secreta do rock brasileiro”, foi o estopim para que a juventude venerasse a chamada fase psicodélica de Ronnie Von, com três discos extraordinários e revolucionários, que infelizmente, ficaram a ver navios na época.

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A coroação acontece em pleno 2013, com os relançamentos dos bolachões gravados pelo artista nos anos 1960. O chamado para esta matéria é mais além. O teaser do documentário, “Quando éramos príncipes”, divulgado há dois dias, deixou eu e muita gente arrepiado, emocionado, com o próprio Ronnie e a banda Os Haxixins, tocando o clássico “A Máquina Voadora”, de 1970, ao vivo, exclusivo para o documentário do jornalista Ricardo Alexandre e pelo cineasta Caco Souza. O teaser ainda impressiona com depoimentos de Rita Lee, Manoel Barenbein e Arnaldo Saccomani, que produziu os famosos discos de Ronnie.

O documentário promete ainda contar a tentativa do “príncipe” de estabelecer no Brasil, um tipo de música pop mais experimental, sofisticada, como se fazia fora do país. O doc conta com farto material de arquivo e as músicas serão executadas com arranjos com a fidelidade as gravações originais. O mais emocionante mesmo é ver um Ronnie Von, que é durante a semana “Todo Seu”, na TV Gazeta, cantando empolgadamente aquelas músicas que lá atrás, foram ignoradas pelas pessoas daquele tão passado presente.

Documentário passa a partir desta segunda-feira no BIS

“Ronnie Von: Quando éramos príncipes” estreia na faixa BIS Docs do Canal BIS (antigo Multishow HD) na segunda-feira 02 de dezembro, às 19h30, com reprises na segunda-feira 02/12 às 04h, terça-feira 03/12 às 08h30, quinta-feira 05/12 às 09h, sábado 07/12 às 19h30, sábado 07/12 às 03h30 e segunda 09/12 às 15h30.  O filme é uma produção da Tudo Certo Conteúdo Editorial em parceria com a Vira-lata Filmes e o canal BIS.

Clipe de Kaly e os Hóspedes de Chelsea estreia nesta quarta na MTV

O catarinense Kaly estreia seu primeiro  clipe solo na MTV Brasil nesta quarta-feira

O catarinense Kaly estreia seu primeiro clipe solo na MTV Brasil nesta quarta-feira

Estreia nesta quarta-feira,  27 de fevereiro, o clipe do Kaly e os Hóspedes do Chelsea, projeto solo de um dos integrantes dos Últimos Românticos da Rua Augusta e líder da banda Stuart, de Blumenau e que há 5 anos está radicado na capital paulista.  O clipe é da música “Reflexões de uma Terça-feira a tarde” também foi produzido e dirigido por catarinenses com Aline Biz, na direção e Luciana Siebert na produção executiva. O clipe ira ao ar nesta quarta-feira, 10h da manhã, no programa Brasileiras na MTV, com participações dos amigos, alguns integrantes do URRA, como o percursionista Malásia, Flu do Defalla, Alejandro da banda Detetives, Marco Brito e Cleverson Cassaneli, ator de filmes pornô italiano (???).

Gustavo Moura, o Kaly, é muito conhecido da cena independente de Santa Catarina. Nos anos 1990 era baixista e vocalista da banda Enzime, volltada para o hardcore. No início dos anos 2000, ainda em Santa Catarina, iniciou o projeto com a Stuart, onde gravava em produções extremamente caseiras, canções que se assemelhavam o punk brega, iniciado por Wander Wildner dos Replicantes. A banda Stuart se formou com integrantes, baixo, bateria e outra guitarra, onde gravaram dois álbuns e um EP.

Há 5 anos os integrantes se mudaram para São Paulo, onde continuaram a carreira rock and roll por lá, com visitas esporádicas ao estado. Em São Paulo, Kaly participou de outros projetos como integrante da banda de Wander Wildner e a formação do supergrupo Últimos Românticos da Rua Augusta, banda com músicos como Wander Wildner, Malásia, Sérginho Serra, Cristiano Carlos (integrante da Stuart) e esporádicamente participações do gaúcho Jimi Joe.

Kaly e os Hóspedes do Chelsea é seu projeto solo, mostrando que o catarinense não para de produzir e apresentando a cada trabalho, uma evolução, tanto musical e de letras. Vamos esperar para colocar o trabalho aqui no Mundo47.

 

 

 

 

 

 

Allright, Allright! Cuba Drinker and The Hi-Fi´s

 

Lima, Najuí, Sofiati e Diógenes: allright!!!

Esta semana o Mundo47 está meio na marcha lenta, mas quando algumas coisas caem do céu, não dá para ficar pensando muito. Há tempos eu já precisava de material assim, mas eis que Mr. Najuí, o Cuba Drinker, me manda um e-mail com essas fotos históricas dessa lendária banda catarienense da primeira metade desta década.

Cuba Drinker and The Hi-Fi´s é o Mundo47 History Channel de hoje. Especial e sortido.

Show no lendário Underground Rock Bar

Para situar o leitor mais desavisado sobre a história da cena independente de Santa Catarina, Cuba Drinker and The Hi-Fi´s rolou entre 2000 e 2004. Era um projeto de Najuí Estrádulas, de Blumenau que reuniu três figuras de outras bandas para acompanhá-lo na interpretação de suas próprias músicas. Na guitarra Alexandre Lima da banda Minds Away, no baixo a presença de Diógenes Fischer, dos Pistoleiros e Superbug e na bateria, Junior Sofiati, guitarrista da Enzime. Najuí era vocalista e guitarrista do combo.

Segundo Najuí, o Cuba Drinker & the Hi-Fi´s  é lembrado por ser uma das primeiras bandas assumidas de rock´n´roll na cena independente/alternativa da região.  Influenciados por rock/blues/country de raiz e artistas obscuros de todas as épocas, o Cuba mostrou personalidade própria e marcante numa época inundada com as “guitar bands e música alternativa”.
Girls, girls, girls e allright!
Em 2004 a banda findou e hoje está muito difícil de reunir os membros originais, pois Junior está morando na Espanha e Alexandre Lima está morando em Portugal, nos Açores, apenas o próprio Cuba Drinker e Diógenes estão na área, mas mesmo em respeito aos demais integrantes, a banda talvez não colocou nenhum substituto. O CDHF fez história no circuito independente onde fez apresentações antológicas no velho Underground Rock Bar, no Curupira Rock Club e também no Tschumistock. Em 2001 a banda esteve em Goiânia, no Bananada, festival da Monstro Discos. O CDHF não deixou muitas gravações profissionais, apesar de ter um repertório praticamente de músicas próprias. Pelo selo Low Tech rolou a gravação de duas músicas para coletâneas e também um Live At Underground Rock Bar, gravado com um microfone pendurado em cima do palco ligado a um gravador de fita k7. A gravação virou um CD que poucos tem (eu sou um).
Esperamos em breve que Najuí faça um rapa na sua casa e disponibilize estes trabalhos na web para a galera se deliciar.

Mundo47 History Channel

Hey Miss (Blumenau)

A banda, agora extinta, numa excelente apresentação na festa de aniversário do Otávio (Os Kiridos), em Rio do Sul. A foto foi tirada por mim em algum dia de inverno em 2003. Da esquerda para direita, Celso Castelen (de vermelho), Dani Hasse (baixo e vocal), Dado Lima (batera) e Rodrigo Rolha (guitarra e vocal). Tenho saudades do show da banda Hey Miss, uma das melhores de SC que faz o estilo indie pop. Dani e Rodrigo são excelentes compositores e o EP da banda, que em breve pretendo relembrar, foi um dos grandes EPs lançados na região 47, uma obra fantástica. Quem sabe não rola um dia um “último show” ou uma breve volta.

Mundo47 History Channel

O Mundo47 History Channel tá sendo muito bacana. O “quadro” que relembra momentos bacanas e históricos do rock catarina, está levando muita gente que tem em seu arquivo boas fotos, enviarem isso tudo para o Mundo47. Esta semana recebi várias fotos de Eduardo Xuxu, ex-vocalista e guitarrista da lendária e recém findada banda Pipodélica. Imagens que vamos aproveitar com toda a certeza.

Nesta primeira imagem, Xuxu destaca que os integrantes, são da formação que gravou o histórico e excelente EP Tudo Isso. Da esquerda para a direita,  Dode na guitarra,  Carine Nath nos vocais, Eduardo Xuxu na guitarra e vocal, Gustavo Cachorro na bateria e M. Leonardo no baixo. A foto foi tirada em 27 de maio de 2000 numa festa a fantasia dos estudantes da UFSC.

Mande a sua imagem e participe do Mundo47 History Channel.

e-mail: mccaweiss@hotmail.com

 

Mundo47 History Channel

Mais uma fotografia da história do rock catarina.  Como nesta sexta-feira eu estava na Saraiva Megastore do Shopping Iguatemi em Floripa, falando sobre o Floripa Noise Festival, um festival co-organizado entre Insecta (SC) e Monstro Discos Goiania(GO), a foto do dia não poderia ser melhor. Mostra a saga de várias bandas catarinas que participaram do Bananada 2001 (bons tempos não acham?). Como faz tempo que barcas de SC não zarpam para os Festivais da Monstro, vale monstrar esse show eletrizante da Enzime, liderada pelo Kaly Moura, atual Stuart, com Valmor Jr. na guitarra (hoje na Espanha). Na platéia aparecem outros catarinas famosos. Giba Moura da Minds Away, Mutley Bianchini e Diógenes Fischer do Superbug e a foto foi tirada pelo nosso malaco mor, Ramiro Pissetti (Os Incríveis Animais que Tocam e Animales).

Veja o que o Kaly disse sobre a foto:

A legenda da foto em anexo é a seguinte:

Bianchinni (abaixo da bicicleta) chamando alguém que está muito longe, e como nosso show foi o mais alto da história, sem chance. Ao lado o Diogenes vibrando, com os punhos cerrados, como podem observar. O Giba olhando e pensando “acho que mais um ampli foi pro pau”. A sapata e o jornalista ao lado do giba olham para o mesmo lugar…ou o EDU ta fazendo uma virada “tupactupumplactum pof tim” ou ta de fato saíndo fumaça do ampli.

 

Mundo47 History Channel

A idéia agora é fazer pelo menos, quase todos os dias, um apanhado pela história do róque catarinense por imagens. Essa cena indie rock que está até hoje ai, existe há muito mais de 10 anos, portanto é o momento para colocarmos os pingos nos “is” e mostrar momentos bacanas dessa história. Eu mesmo tenho um arquivo legal de imagens, espero colocar algumas, mas vou aceitar todas as contribuições possíveis. O nome Mundo47 History Channel é uma homenagem ao mestre Ramiro Pissetti.

Vamos a foto:

SChinelagem Rock Festival
Ano: 2003
Organizado por: Gustavo Moura (Kaly)
Local: O lendário Underground Rock Bar, de propriedade do saudoso Franck e era localizado na Lagoa da Conceição. Hoje é um maldito estacionamento.
Cidade: Florianópolis

A banda da foto: é a própria banda do Kaly, uma das primeiras formações de banda do Stuart, que até então era um projeto “onemanband” do Kaly. Na foto ele no vocal e numa guitarra, Edu na bateria e Evandro Assis na outra guitarra. No baixo estava o Marlon, que não apareceu na imagem clicada. Outro detalhe da foto, além da atmosfera do Underground, é um banner da Revista Mundo, que durou três edições e era editada por mim, Rafael Weiss e pelo próprio Gustavo Kaly, da Stuart. Tivemos muitos colaboradores nessa época, foi bem bacana, mas a idéia da revista online morreu em seguida. Digo que a Revista Mudo é um embrião do site Mundo47, que completa um ano em julho.

PARTICIPE VOCÊ, MANDE SUA FOTO

Esta nova categoria no Mundo47, o History Channel, deverá continuar, mas para dar uma variada, eu vou fuçar fotologs alheios, sites das bandas, myspaces e tramas, mas espero a colaboração de você leitor (a), que tem alguma imagem história do rock catarinense. Traga sua história, a história das fotos que você tem. Se ela é em papel, passe o scanner nela e traga a vida virtual.

Envie sua foto para : mccaweiss@hotmail.com e passe todos os dados do local que ela foi tirada, banda, integrantes, data. Se você tem a imagem, mas não sabe patavinas nenhuma, mande assim mesmo, que a gente abre para que nossos leitores desvendem a imagem. É isso!